A Cáritas Diocesana de Leiria alertou para a insuficiência dos apoios públicos e para o risco de paralisia económica na região, no contexto da recuperação após a Tempestade Kristin. A instituição reúniu nesta quarta-feira com as autarquias da área territorial da Diocese de Leiria-Fátima para coordenar o apoio direto e exclusivo às famílias afetadas.
Até às 15h30 de terça-feira, o Fundo de Emergência Social – Tempestade Kristin angariou 1.655.620,44 euros. Segundo a Cáritas Diocesana de Leiria, este montante reflete a solidariedade da sociedade portuguesa e sustenta uma resposta que pretende ser “humana, rigorosa e transparente”.
No plano da intervenção direta, a instituição já entregou 811 cabazes alimentares e distribuiu 95 toneladas de alimentos nas comunidades atingidas.
Apesar destes resultados, a Cáritas Diocesana de Leiria considera que, ultrapassada a fase de maior atenção mediática, a região enfrenta agora uma etapa particularmente exigente. A instituição entende que os apoios estatais disponíveis não cobrem a totalidade dos danos estruturais nem garantem a reposição das condições mínimas de habitabilidade para todas as famílias afetadas.
Articulação institucional e critérios de atribuição
A reunião agendada com as autarquias locais visa apresentar formalmente o Fundo de Emergência, bem como o respetivo regulamento, procedimentos e critérios de atribuição. A Cáritas Diocesana de Leiria sublinha que o fundo se destina exclusivamente ao apoio direto às famílias afetadas pela tempestade, assegurando a aplicação rigorosa dos recursos disponíveis.
A instituição garante que cada candidatura será analisada de forma criteriosa, com o objetivo de promover justiça social e equidade na distribuição dos apoios.
Risco de agravamento social e económico
A Cáritas Diocesana de Leiria manifesta preocupação com o possível encerramento de unidades empresariais locais, cenário que poderá conduzir ao aumento do desemprego e retirar às famílias meios de autonomia financeira, prolongando situações de dependência.
A instituição chama ainda a atenção para o impacto do eventual encerramento, ainda que temporário, de clubes desportivos e associações locais. Estes espaços, refere, funcionam como redes de suporte para crianças e jovens, contribuindo para a estabilidade emocional e social das comunidades.
“A tempestade passou, mas a reconstrução invisível é a mais difícil”, sublinha a organização, referindo-se às famílias que já viviam com orçamentos limitados e que enfrentam agora incerteza quanto ao emprego e à capacidade de recuperar as suas habitações.
A Cáritas Diocesana de Leiria assegura que continuará no terreno a acompanhar e a avaliar cada situação, reiterando o compromisso de apoiar as famílias mais vulneráveis e de contribuir para uma reconstrução que salvaguarde a estabilidade presente e futura da região.



