Tempestade Kristin deixou metade do património da Diocese de Leiria-Fátima gravemente afetado

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A depressão Kristin provocou danos profundos no património edificado da Diocese de Leiria-Fátima, numa dimensão que o Departamento do Património Cultural compara a “cataclismos mais antigos na história deste território”. A degradação ocorreu de forma abrupta na madrugada de 28 de janeiro, agravando-se com as depressões que se seguiram.

Segundo o levantamento promovido a pedido do bispo diocesano, cerca de metade do património paroquial ficou gravemente afetado. O inquérito enviado aos responsáveis locais permitiu recolher informação, apesar das dificuldades causadas pela falta de comunicações e pela obstrução de vias.

Os danos incidem sobretudo nas estruturas dos edifícios. Verificam-se quedas de pináculos e fogaréus sobre telhados, destruição de forros, fraturas em elementos pétreos e prejuízos em balaustradas e ornamentos. Das torres sineiras às portas e janelas, incluindo elementos artísticos, os estragos são considerados profundos.

Danos em todos os concelhos da diocese

Não houve zonas poupadas. Igrejas dos concelhos de Leiria, Marinha Grande, Batalha, Porto de Mós, Ourém, Pombal, Alcanena e Alcobaça registaram estragos.

Entre os casos mais preocupantes está o Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, que se tornou um dos símbolos da tempestade. Há também danos relevantes na Sé de Leiria, classificada como monumento nacional, bem como noutros templos com significativo valor artístico e identitário, ainda que não classificados.

Primeiras medidas e impacto na vida das comunidades

As intervenções têm sido feitas de forma faseada, conforme as condições climatéricas permitem. Em vários locais procedeu-se à recolocação de telhados para minimizar a entrada de água, à remoção de elementos em risco de queda e à salvaguarda de património móvel, como imagens de devoção. Algumas esculturas foram retiradas para avaliação do seu estado de conservação.

As consequências atingem também a vida litúrgica. Diversas comunidades celebram atualmente em espaços alternativos, procurando igrejas não afetadas ou que reúnam condições de dignidade para a celebração.

Estimativa de 12 milhões de euros

A Diocese estima que a recuperação do património afetado possa rondar, nesta fase, 12 milhões de euros. Contudo, admite que este valor poderá revelar-se insuficiente após a realização de orçamentos detalhados por empresas especializadas em intervenção patrimonial.

Os dados recolhidos foram enviados ao Património Cultural, IP, a pedido do presidente do Instituto, João Soalheiro, bem como às autarquias de Leiria e Ourém. A Diocese sublinha que não será possível restituir este património às comunidades sem um compromisso do Estado.

Paralelamente, decorre uma campanha de solidariedade promovida pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, acolhida com apreço pela Diocese, ainda que não haja, para já, indicação sobre os montantes angariados.

O Departamento do Património Cultural alerta para a necessidade de não limitar a recuperação aos imóveis classificados, defendendo que o património local, enraizado no quotidiano das populações, é determinante para a identidade das comunidades. A forma como for tratada esta herança, sublinha, refletirá a atenção dada às pessoas que dela fazem parte.

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