As velas da nossa vida e as de Fátima

As velas são assim objetos com uma carga simbólica muito forte, associadas à luz que dela irradia e à vida, pois não existe esta sem aquela.

Na nossa vida, as velas têm vários usos e valores. Em primeiro lugar, valor utilitário: servem para iluminar, aquecer ou manter algo quente. E devem estar sempre à mão para suprir a falta de luz elétrica. Mais decoradas e embelezadas, fazemos delas dons para pessoas amigas ou significativas para nós, mostrando reconhecimento e dando-lhes alegria. Elas são usadas igualmente em aniversários e eventos como elementos celebrativos, associadas normalmente a um bolo. Muitas vezes, em número ou referência aos anos comemorados, são acesas e depois apagadas pelo sopro de quem é alvo da homenagem. O ato é celebrado com o canto e o bater das mãos em aplauso. Contribui para a exprimir a alegria da confraternização. Usa-se ainda acender velas e colocá-las em campas ou outros lugares, como homenagem a alguém que morreu, em sinal de dor, afeto, memória e desejo de vida eterna para quem nos foi querido.

Há ainda as velas usadas na devoção pessoal e na liturgia. Nesta constitui um elemento simbólico a significar a luz que é Cristo ressuscitado, ele que disse e prometeu em vida: «Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida.» (Jo 8,12). Na celebração da vigília pascal, o hino denominado precónio exalta assim o círio e a sua luz: «Nesta noite de graça, aceitai, Pai santo, este sacrifício vespertino de louvor, que, na oblação deste círio, pelas mãos dos seus ministros Vos apresenta a santa Igreja. Nós Vos pedimos, Senhor, que este círio, consagrado ao vosso nome, arda incessantemente para dissipar as trevas da noite; e, subindo para Vós como suave perfume, junte a sua claridade à das estrelas do céu. Que ele brilhe ainda quando se levantar o astro da manhã, aquele astro que não tem ocaso, Jesus Cristo vosso Filho, que, ressuscitando de entre os mortos, iluminou o género humano com a sua luz e a sua paz e vive glorioso pelos séculos dos séculos.»

Esta luz de Cristo é a que o fiel cristão recebe no batismo. A vela acesa que recebe nessa ocasião significa a luz da fé que há de iluminar toda a sua vida. Então, se vive segundo o Evangelho, torna-se também luz para os outros, como afirmou Jesus aos seus discípulos: «Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem se acende a candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas sim em cima do candelabro, e assim alumia a todos os que estão em casa. Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai, que está no Céu.» (Mt 5, 14-16)

As velas são assim objetos com uma carga simbólica muito forte, associadas à luz que dela irradia e à vida, pois não existe esta sem aquela. Elas significam a fé e a espiritualidade que guiam, iluminam, movem e dão energia a toda a nossa vida.

As velas de Fátima e a oração dos simples

Uma das belas imagens de Fátima são as velas: nas procissões noturnas ou no tocheiro. Numa situação e na outra têm significados diferentes.

Nas procissões, a vela significa a luz da fé cristã. Evoca a luz criada por Deus como condição fundamental para toda a vida, a luz de Cristo recebida no batismo e também a luz de Deus que Nossa Senhora comunicou aos pastorinhos, fazendo-os conhecer a Deus e ver-se a si próprios em Deus. Com a vela acesa na mão, caminhando com os irmãos na fé, na companhia da imagem da Mãe do Céu, o cristão manifesta o seu desejo e a sua confiança de caminhar na vida quotidiana iluminado pela luz de Cristo e sendo para os outros testemunhas dessa luz.

As velas queimadas no tocheiro são simultaneamente oferta e súplica dos devotos à Virgem Maria. Representam sentimento e esperança. Exprimem gratidão e prece nas necessidades e aflições da vida. São, portanto, atos de devoção, que deverão ser acompanhados pelo empenho em levar uma vida reta, honesta, justa e de amor.

Quem visita Fátima fica impressionado com a fila enorme de pessoas que querem ir oferecer uma vela ou mais velas. Será preciso uma mão cheia para representar várias pessoas ou ser melhor atendido? Não. Uma só vela é suficiente para dizer tudo o que se tem no coração. E Nossa Senhora não necessita das nossas velas para nos atender. As pessoas é que podem precisar delas como sinal para manifestarem o que lhes vai no coração. Rezar, com palavras e gestos, é o mais importante. Jesus chamou a atenção para não dizer muitas palavras na oração. O mesmo se pode dizer das velas!

Recentemente, fui também eu oferecer e acender uma vela, ato a que chamei oração dos simples, e rezei assim:

“Ó Maria, mãe de Jesus e mãe nossa,
hoje, no teu santuário de Fátima,
decidi fazer a oração dos simples:
uma intenção e uma prece no coração,
a oferta de uma vela acesa
e a oração do Rosário na tua Capelinha.
Nessa oração, bem o sabes,
incluí todo o mundo e não só os meus familiares e amigos.
Com que conforto e confiança, ó mãe, eu saí dali.
E sei que vais comigo e estás sempre no meu coração e nos meus caminhos.
Obrigado, mãe de Jesus e mãe nossa.”

Como não lembrar as palavras do Papa Francisco em Fátima. Nossa Senhora “veio lembrar-nos a Luz de Deus que nos habita e cobre. (…) E, no dizer de Lúcia, os três privilegiados ficavam dentro da Luz de Deus que irradiava de Nossa Senhora. Envolvia-os no manto de Luz que Deus Lhe dera. No crer e sentir de muitos peregrinos, se não mesmo de todos, Fátima é sobretudo este manto de Luz que nos cobre, aqui como em qualquer outro lugar da Terra quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe para Lhe pedir, como ensina a Salve Rainha, «mostrai-nos Jesus».”

Assim, as velas acendidas em Fátima ou em qualquer igreja ou santuário devem evocar a luz de Deus “que nos habita e cobre” e exprimir, mas não substituir, as nossas orações e o empenho pessoal de vivência sob a luz da fé na vida quotidiana e nas nossas relações pessoais, familiares, comunitárias e sociais.

Devoção sem amor não tem valor.

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