Apresentação do livro sobre o cardeal D. António Marto

O novo cardeal português do Vaticano, D. António Marto, considera que as mais recentes nomeações dele e do Pe. Toletino Mendonça para cargos na Cúria e no Vaticano são «um certo olhar de carinho do Papa para Portugal».

«Não é normal isto acontecer. Quando o Papa está a privilegiar a nomeação de cardeais das periferias, dos países mais afastados e desconhecidos, onde a Igreja até é minoritária, nomear mais um cardeal para Portugal é uma atenção especial do Papa e que deriva um pouco de Fátima», disse aos jornalistas, na sua primeira aparição pública depois de regressar de Roma, onde foi criado cardeal pelo Papa Francisco.

O recém-nomeado Cardeal D. António Marto esteve na PAULUS Livraria de Fátima, no dia 12 de junho, para a apresentação do livro que retrata a sua vida e o seu pensamento. Na apresentação da obra, organizada pelo jornalista da Família Cristã Ricardo Perna e que conta com a colaboração dos jornalistas João Francisco Gomes, do Observador, e Octávio Carmo, da Agência Ecclesia, Paulo Rocha, diretor da Agência Ecclesia, enalteceu a disponibilidade e o perfil do novo cardeal, incluindo-o no lote dos cardeais “papáveis” num próximo conclave. «Eu olho para estas afirmações de jornalistas, a quem acho o direito de sonhar, com um certo humor, até porque nem me considero a pessoa com mais qualidades para exercer um ministério tão alto. Não entra no meu horizonte, nem em sonho nem na realidade», referiu em declarações aos jornalistas.

Sobre o cargo que agora passa a ocupar, e ainda sem saber em que departamento o Papa irá necessitar da sua ajuda e conselho, avisa que há pessoas que entendem mal este ministério. «As pessoas pensam que um cardeal é um super bispo, que manda nos outros bispos, mas não é. É um bispo que tem uma diocese e tem a tarefa de governar a sua diocese, não as outras. A missão dele é ser colaborador próximo do Papa para as tarefas que o Papa pedir, ser membro de uma congregação, dar contributo num determinado setor da vida da igreja, dar um conselho quando o Papa convoca o colégio dos cardeais, e participar num conclave, que deve ser uma coisa interessante (risos), para a eleição de um Papa. Simples, embora traga o seu trabalho», reconheceu.

Apesar desta simplicidade, reconheceu que a sua voz terá um «eco» diferente agora que é cardeal, pelo menos no Vaticano. «Sim, as minhas palavras têm um eco diferente, por causa do alcance mediático que os meios de comunicação dão a uma personagem com este título de cardeal. Mas não quer dizer que outro bispo não possa ter uma intervenção melhor que a minha sobre algum assunto. Enquanto consultor do Papa, sim, terei uma voz diferente, mas enquanto presença na sociedade será igual», assegura, ele que já referiu várias vezes que não irá mudar a sua postura por causa da nomeação.

 

Uma obra para dar a conhecer o «testemunho» de um cardeal

A obra «D. António Marto – O cardeal de Fátima» foi apresentada numa sala cheia de personalidades, entre os quais os bispos eméritos de Beja, D. António Vitalino, e de Leiria-Fátima, D. Serafim Ferreira, o reitor do Santuário de Fátima, Pe. Carlos Cabecinhas, e o vice-reitor, Pe. Vítor Coutinho.

Coube ao diretor da Agência Ecclesia, Paulo Rocha, apresentar a obra que retrata a vida e o pensamento do novo cardeal. «De todas as etapas [da vida do novo cardeal] resulta uma síntese que faz regressar àquelas duas palavras: ternura e misericórdia», diz Paulo Rocha, palavras que «definem o cardeal Marto». «Depois se ter ocupado de racionalidades da fé e argumentações sobre a esperança e o fim dos tempos, de ter aprendido de novo o gosto pela oração do terço em adulto e de ter redescoberto a beleza da espiritualidade dos peregrinos de Fátima, é um pregador da misericórdia e da ternura de Deus; é sobretudo um ator, sem necessidade de representar, da misericórdia e da ternura de Deus por todos querer incluir num projeto de felicidade e pela proximidade a todas as pessoas, em qualquer momento do dia», disse o diretor da Agência Ecclesia.

«É esse cardeal», continuou Paulo Rocha, «que este livro nos convida a conhecer, despertando-nos tomar contacto com outros textos e outros momentos da sua vida e sobretudo para ficar atentos às páginas do novo capítulo na sua história, as que têm agora por autor “o cardeal de Fátima”», concluiu.

No que toca aos autores da obra, Ricardo Perna, jornalista da revista Família Cristã, agradeceu a «disponibilidade» de todos os que trabalharam na obra e dos jornalistas que aceitaram colaborar e elogiou a própria disponibilidade do novo cardeal. «Seguirei agora ainda com mais atenção a forma como as posições de D. António Marto vão poder ter eco na Igreja universal», referiu.

Octávio Carmo, chefe de redação da Agência Ecclesia, referiu a «surpresa» que foi ter ouvido o nome de D. António Marto no Angelus, quando nada o fazia prever, e João Francisco Gomes agradeceu a «disponibilidade» do novo cardeal para a entrevista de vida que foi publicada no Observador e agora reproduzida em livro.

O agora cardeal Marto contou aos presentes que «o centenário de Fátima foi oportunidade de relação particular, confidencial e íntima entre o bispo de Fátima e o Papa, e perceber a comunhão de pensamento e metas pastorais em ordem à reforma da Igreja empreendida pelo Papa». «Estou em plena sintonia com o Papa neste empreendimento de reforma da Igreja que começa pela renovação dos corações e das mentalidades de um ponto de vista mais evangélico, e uma renovação em chave missionária, de saída para o mundo e não auto referencial e fechada em si mesma em pequenas questiúnculas que às vezes são ridículas frente aos grandes problemas da humanidade», disse aos presentes.

Quanto aos frutos do livro, o cardeal Marto espera que a obra seja lida «como um testemunho de um homem de fé, antes de mais, uma fé que me enche o coração e a vida, e por isso falo da alegria e da beleza da fé, de Deus e do seu amor que salva, para contrariar a imagem de uma fé triste, sem entusiasmo, que parece um fardo que se impõe às pessoas, e por isso o meu lema “servidores da Vossa alegria”, e até nisto me sinto em sintonia com o Papa, porque as grandes publicações têm esta alegria presente».

O prelado referiu que nunca esperou tamanho «alcance» da sua nomeação. «Recebi cartas do mundo inteiro, das pessoas mais simples aos diplomatas de várias nações. Todos a felicitarem-me, e nunca imaginei que o cardinalato tivesse tanto alcance, embora sendo de Fátima já se imaginasse», e elogiou a escolha da PAULUS no título da obra. «Fátima é uma palavra “mágica”, carregada de simbolismo, que toca o coração e as fibras íntimas de milhões de pessoas, que mesmo sem virem cá sentem que a mensagem lhes toca», referiu aos presentes na apresentação.

Quanto ao cargo de cardeal, relembrou que «não é promoção na carreira, uma honra de ter subido de degrau na hierarquia». «Para mim isso não conta nada, aceito-o como um serviço à Igreja que me é pedido pelo Papa como seu colaborador mais próximo e apoiante desta reforma da Igreja para a tornar mais evangélica, mais misericordiosa e mais próxima da gente, mais propriamente dos mais necessitados e sofredores», concluiu.

In Família Cristã

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