A opinião e a profissão de fé cristã

A opinião pode comprometer mais ou menos a pessoa que a emite. Mas a profissão de fé, se autêntica, isto é, se resulta de uma verdadeira inspiração de Deus, envolve e muda a vida da pessoa que a faz.

No evangelho do domingo de 23 de agosto (Mt 16, 13-20), Jesus faz uma “sondagem de opinião” sobre ele. Os discípulos mencionam algumas opiniões das pessoas, que parece não terem agradado a Jesus. Em seguida, são eles próprios questionados. Em nome dos outros, Simão Pedro responde: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Poderia ser uma opinião mais a somar às referidas por eles. Mas não. Jesus elogia Pedro e reconhece que ele fez uma verdadeira profissão de fé inspirada por Deus.

Uma opinião é uma ideia pessoal sobre uma determinada realidade. Traduz a impressão, o conhecimento, um juízo, um pensamento e até uma crença que alguém expressa sobre ela. Fundamenta-se na própria experiência, nas informações recebidas, na reflexão, mas por vezes também em preconceitos e na imaginação. Trata-se, portanto, de um pensamento humano que pode ser partilhado e influenciar outras pessoas, em maior ou menor número. É fruto da mente humana e constitui uma leitura ou uma compreensão que se tem se si próprio, dos outros, das instituições e dos acontecimentos. A vida de cada um de nós e também as nossas relações e opções são muito marcadas e condicionadas pelas nossas opiniões.

A profissão de fé é muito diferente. Jesus diz a Pedro que o conhecimento e afirmação que fez acerca dele não foram simplesmente fruto da sua mente nem do que ouviu e aprendeu de outros. O que ele disse foi-lhe revelado “por meu Pai que está nos Céus”. A profissão de fé resulta assim de uma revelação ou inspiração de Deus, da escuta e compreensão da sua Palavra, da luz divina que ilumina a mente e o coração humanos que a colhem e a ela aderem. Pedro compreendeu a identidade divina de Jesus e reconheceu nele a presença de Deus. O seu ato de fé tornou-se o fundamento para a missão que Jesus lhe confiou na sua Igreja que foi a de ser seu colaborador e testemunha diante de outros. Através dele e dos demais apóstolos, Jesus iria edificar a Igreja e desenvolvê-la pelo mundo além. Eles próprios, como “o Messias”, haveriam de dar a própria vida e gerar novos discípulos.

A opinião pode comprometer mais ou menos a pessoa que a emite. Mas a profissão de fé, se autêntica, isto é, se resulta de uma verdadeira inspiração de Deus, envolve e muda a vida da pessoa que a faz. Ela comporta um certo conhecimento e compreensão de Deus e também da própria vida da pessoa na relação com Ele. Devido à mudança nas convicções, valores e comportamentos do crente, a sua vivência coerente da fé pode, por vezes, suscitar a incompreensão de quem lhe é próximo. É o que acontece com os convertidos, aqueles que, misteriosa e inesperadamente, se encontram com Jesus Cristo e descobrem a sua luz em alguma experiência espiritual. Conhecem então uma transformação na sua vida e não se cansam de contar a outros o que lhes aconteceu.

A experiência da fé é dom divino, é certo, mas pode e deve buscar-se pessoalmente. Como? Através da leitura orante da Palavra de Deus, da meditação e oração pessoal, da participação em retiros ou exercícios espirituais, da liturgia, de encontros de espiritualidade, do empenho no serviço generoso de amor ao próximo, do diálogo com outros crentes, sobretudo os espiritualmente experientes e sábios, os chamados mestres espirituais. Muito proveitosa é também a leitura dos testemunhos e ensinamentos desses mesmos mestres de vida cristã.

Para ser cristão e ter nisso proveito para a vida, não basta ter recebido uma tradição e possuir algumas opiniões sobre Jesus Cristo, a fé, a moral, a doutrina ou a Igreja. Há muitos crentes que se ficam por aí e talvez pouco se distingam de quem não crê, pois também estes têm as suas opiniões em matéria religiosa, que merecem respeito. Viver como cristão comporta conhecer e viver numa relação pessoal e comunitária com Jesus Cristo que me permita fazer uma verdadeira profissão de fé, como a de Pedro, e ter cum comportamento moral coerente com os valores da fé professada. O sucessor de Pedro, o Papa Francisco, é para quem quiser ser hoje verdadeiro discípulo de Jesus Cristo um mestre, uma testemunha e um ponto de referência seguro.

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