À LUZ DA VELA APAGADA

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Sentado na minha sala, à luz de uma vela apagada, (como diz o bom humor português), vou pensando na vida e nas coisas que já passei nesta vida já tão vivida.

Fruto dos tempos modernos a minha casa só tem persianas eléctricas, pelo que passei dois dias de escuridão, alumiado apenas pelas luzes trémulas das tais velas “apagadas”.

Sem televisão, sem poder ler, volta e meia pegava no meu terço de madeira e lá ia desfiando as contas do Rosário.

Julgo que nunca rezei tantos terços seguidos na minha vida!

Mas essa reza, (sempre pelas vítimas, por aqueles que mais prejudicados estão em toda esta situação), entremeada com várias recitações da Sequência de Pentecostes pedindo o Espírito Santo, foram acalmando a minha ansiedade, ajudando-me a suportar o nada que vivi em comparação com tantos que tudo perderam.

Afinal o a Homem que se julga tão poderoso acaba por se perceber um nada perante a força da natureza.

Julgamos tudo dominar e, de vez em quando, a natureza lembra-nos que apesar da racionalidade, da tal inteligência, somos muito fracos perante os fenómenos naturais.

Lembro-me então do Evangelho e peço a Jesus Cristo que mande calar o vento e amainar as ondas da tempestade.

E Ele vai-me dizendo suavemente, em cada conta do Rosário, pela voz de Sua Mãe: Fazei tudo o que Ele vos disser.

Deixo-me embalar pela cadência da reza, peço mais uma vez pelos que sofrem, acalma-se o meu coração e adormeço acordado à luz da vela apagada.

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