O festivo dia litúrgico da Imaculada Conceição, 8 de dezembro, acordou desolado para a freguesia e paróquia da Barreira: o Jota partiu!
Com 83 primaveras, João Quinta Bernardes deixa um legado único; na verdade, o ex-libris da Barreira é tanto o Jardim do Visconde como o seu Restaurante.
Dividia a vida profissional entre a quinta agrícola e a restauração de “O Jota”, as duas realidades laborais que, curiosamente por coincidência, batizam o seu apelido e nome próprio. Para trás, ficava a experiência de motorista de vários presidentes do município leiriense, antes de se lançar naquela aventura gastronómica, na companhia da esposa Maria da Encarnação Frazão Bernardes.

Os pratos típicos que a casa cinquentenária tem oferecido são a lentrisca, a morcela, o bacalhau e as migas, regados pelo vinho colhido da sua quinta.
Uma trepidante e crepitante lareira convida o cliente a entrar na aconchegada sala de repasto, na expetativa de se deliciar com o famigerado e aromático bacalhau assado na brasa, a ementa típica.
Não era um homem de tagarelices baratas… Parco nas palavras, tinha um olhar inteligente e perscrutante em relação a tudo o que o rodeava.
Os familiares dão continuidade ao negócio, todavia será insubstituível aquela presença discreta e empática que, sentada numa das mesas do café, acolhia os fregueses de perto e de longe, de todas as condições sociais.
A consolação mística que reconforta a alma é que a última palavra não é a morte. No mês de novembro, foi celebrada a memória dos que se ausentaram do mundo dos vivos. E em dezembro festeja-se, «mais do que o aniversário de Cristo, o encontro de Deus com o Homem», citando o pároco local, David Barreirinhas. A fé não dá certezas absolutas, mas sim a Esperança de que este trânsito efémero pela Terra é o ponto de partida para a Eternidade.
Obrigado, Jota!



