A comunidade paroquial das Cortes viveu, de 1 a 4 de maio de 2026, a festa de Nossa Senhora da Gaiola, num ambiente de grande participação e devoção. O domingo, dia 3 de maio, afirmou-se como o momento central das celebrações, com a tradicional procissão dos “Meninos” e dos seus “fradinhos” a reunir a comunidade em torno da fé e da tradição.

Quatro dias de celebração e envolvimento comunitário
Ao longo de quatro dias, a festa mobilizou a comunidade paroquial num conjunto de celebrações religiosas e momentos de convívio, marcados por um forte espírito de participação e entreajuda.
A preparação da festa exigiu um trabalho intenso, dedicado e contínuo por parte dos festeiros, nascidos em 1976, desenvolvido ao longo de vários meses e que culminou nestes dias de celebração. O seu empenhamento e sentido de missão refletiram-se também na elaboração do livro-guia “Festa de Nossa Senhora da Gaiola – Celebrações Litúrgicas”, com 72 páginas, preparado pelo pároco, padre David Barreirinhas, que acompanhou e orientou todo o percurso celebrativo.
Domingo: o dia maior da festa
O dia 3 de maio concentrou os momentos mais significativos da festividade, assumindo-se como o ponto alto das celebrações em honra de Nossa Senhora da Gaiola. A tarde iniciou-se com a Eucaristia festiva na igreja paroquial, presidida pelo pároco, padre David Barreirinhas, e concelebrada pelos sacerdotes da Unidade Pastoral, padre André Antunes Batista e padre José Augusto Pereira Rodrigues, contando ainda com a presença do antigo pároco, padre António Faria.
A celebração decorreu num ambiente de grande solenidade e participação comunitária, sendo enriquecida pelo envolvimento dos diversos agentes pastorais e pelo espírito de comunhão vivido entre os fiéis. A presença do clero da Unidade Pastoral e do antigo pároco reforçou o sentido de continuidade e de ligação entre gerações, num momento marcado pela fé partilhada e pela identidade comunitária.
Procissão enche as ruas de fé e tradição
Apesar de alguma instabilidade meteorológica, a procissão saiu da igreja e percorreu várias ruas da localidade, acompanhada por numerosos fiéis. O cortejo integrou as filarmónicas das Cortes e da Bidoeira, os tradicionais “cabazes do pão”, as imagens das padroeiras dos lugares da paróquia e os respetivos estandartes.
Um dos momentos mais marcantes foi a participação dos “Meninos”, acompanhados pelos seus “fradinhos” — tabuleiros de bolos carregados de simbolismo —, este ano em número próximo de 100. Ao longo do percurso, as janelas adornadas com colchas e o lançamento de pétalas de rosas sobre a imagem de Nossa Senhora da Gaiola reforçaram a expressividade da devoção popular.
Homenagem às mães encerra celebração
No regresso à igreja, a Filarmónica das Cortes prestou uma sentida homenagem musical à padroeira, envolvendo os presentes num ambiente de grande emoção e recolhimento. As sonoridades interpretadas conferiram solenidade ao momento final da celebração, sublinhando a devoção a Nossa Senhora da Gaiola e o espírito festivo vivido ao longo do dia.
O encerramento ficou ainda marcado por um momento de especial significado pastoral e humano: a homenagem às mães, evocadas pelo pároco como “imagens maternais de Deus”. Num gesto simbólico e carregado de ternura, foi oferecida uma flor a todas as mães presentes, num reconhecimento público do seu papel insubstituível na família e na comunidade. Este momento final uniu emoção, gratidão e fé, deixando uma forte marca na assembleia e encerrando a celebração com profundo sentido espiritual e comunitário.
Uma tradição viva que une gerações
Mais do que um conjunto de celebrações, a festa de Nossa Senhora da Gaiola revelou-se como uma experiência de encontro e renovação comunitária. Enraizada numa tradição secular, continua a afirmar-se como expressão viva da fé e da identidade local. Foi também ocasião para reconhecer o empenho dos festeiros, colaboradores e de toda a comunidade.
Permanece o desafio de prolongar no quotidiano o espírito vivido nestes dias, fortalecendo uma comunidade mais unida, solidária e comprometida com o seu caminho comum.