ACHEGAS PARA COMPREENDER UMA SEMANA MAL EXPLICADA

57 visualizações

“Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá. É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros” (Jo 15, 16-17).

Nada do que se refere às nossas relações com Deus está isento do mistério que é o mesmo Deus.

É uma verdade indiscutível que todos os crentes aceitam quase sem pestanejar; mas que talvez tenha menos influência do que devia na nossa pastoral vocacional; para não perder tempo em com questões marginais, digo imediatamente que não se trata tanto de eliminar o que talvez esteja errado, como sobretudo de viver em profundidade um tema que, em si mesmo, tem mais a ver com a fé das comunidades – fé que não pode mudar – do que com as estruturas canónicas que lhe servem de apoio e ajudam a sua comunicação com as culturas; estruturas que, como a cultura, são objecto de mudança, salvaguardando sempre a integridade da fé.

Jesus é muito claro, quando, no contexto em que fala aos discípulos dos ódios e perseguições com que o mundo receberá o seu testemunho, lhes diz que não tenham medo, porque foi Ele que os escolheu; mas escolheu-os para quê? Para que as perseguições desapareçam? É evidente que não: escolheu-os para que sigam até à cruz com o mesmo amor e determinação com que Ele vai: “Fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça”.

Dar fruto, que se pede ao Pai e estimula com a caridade fraterna: “É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros”.

Não é muito claro o que hoje se pretende com uma Semana das Vocações, e menos ainda, quanto a mim, com o chamado Jubileu das Vocações; não é muito claro, sobretudo dada a grande diversidade de discursos ditos e celebrações realizadas a propósito.

Foi muito mais claro o Papa São Pulo VI, na instituição do Dia Mundial de Oração pelas Vocações; ele, que pensava de modo especial nas vocações ao ministério, ordenado – sacerdócio, – ou não: vocação baptismal e religiosa.

Isso, porém, não altera a questão: Jesus fala para todos os discípulos, e a vocação divina, da qual se trata aqui, é essencialmente a mesma, qualquer que seja o chamado e o objectivo último do chamamento.

Na minha leitura do texto de João citado como abertura destas reflexões, creio poder ver o que considero essencial em toda a actividade promotora e amparo das vocações: digo promotora e amparo, porque uma coisa não funciona sem a outra; atrevo-me até a dizer que, de facto, nas últimas décadas, a grande falha da pastoral vocacional, será exactamente o descuidar-se a ajuda que os pastores e as comunidades devem aos chamados, para que sejam fiéis até ao fim.

Não se trata de abolir as perseguições, porque elas fazem parte da vida do fiel, mergulhado num mundo infiel.

Trata-se de educar na vida teologal e ajudar a crescer nela, segundo as circunstâncias de cada um.

Vida teologal: segundo os escritos paulianos, Fé, Esperança e Caridade.

Jesus, num discurso marcado pelo ambiente da espedida, parece começar pela Esperança: Tende confiança, Eu venci o mundo.

“Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá.”

A Esperança e a Fé: ao Pai pelo Filho, que não nos arma nenhuma cilada; mas diz claramente que o fruto do nosso trabalho é dom do Pai e que o Seu mandamento é a Caridade:

“É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros.”

Apesar de todos os comentários – alguns muito belos e oportunos – feitos sobre o preceito da caridade ao longo dos quatro capítulos que relatam a chamada Última Ceia, não me parece que se tenha desenvolvido, no quadro da formação sacerdotal e religiosa, o conhecimento e a prática das virtudes teologais, como elementos específicos da promoção, cultivo e amparo da vocação ao ministério.

À primeira vista, ficamos com a impressão de que, na maior parte dos casos, se passou de uma intolerante unicidade ao abandono quase total.

Ou, o que será ainda pior, continuam a cultivar-se guerrilhas absurdas, sobre oportunidades e competências, quando o que falta é que se crie um ambiente propício ao são pluralismo, sem o qual não haverá, em caso nenhum, liberdade; especificamente, aquela liberdade que a todos -sacerdotes, leigos e religiosos -, ganhou o sacrifício do mártir do Gólgota.

Siga-nos nas redes sociais:
Partilhar

Leia esta e outras notícias na...

NEWSLETTER

Receba as notícias no seu email​
Pode escolher quais as notícias que quer receber: destaques, da sua paróquia