Leiria recebe formação para vicentinos sobre o legado de Ozanam e o acolhimento de jovens

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Cerca de 80 irmãs e irmãos vicentinos, de várias conferências diocesanas, participaram no seminário diocesano em Leiria, promovido pela equipa de formação da Zona Norte da direção nacional da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP). Após o acolhimento, seguiu-se a oração e meditação, orientadas pelo conselheiro espiritual da SSVP, padre José Alves.

O primeiro tema foi “António Frederico Ozanam e os Pobres”, apresentado pelo próprio conselheiro, com a colaboração de um confrade e da presidente da Conferência da Calvaria, Dora Jorge. Ozanam, estudante universitário em Paris logo após a Revolução Francesa, viveu num período conturbado a nível social. Inspirado no lema francês “Liberté, Égalité e Fraternité” (Liberdade, Igualdade e Fraternidade), foi um observador atento do sofrimento dos pobres e trabalhadores. Este despertar da misericórdia levou-o a definir o que poderíamos apelidar de “Doutrina de Ozanam”, baseada em três atitudes: empatia, denúncia, e trabalho e interpelação.

A doutrina de Ozanam e o compromisso social

A verdadeira democracia compreende, entre outras premissas, direitos e deveres. Foi sublinhada a importância da integração em cargos públicos para ter voz ativa nas decisões e assegurar o cumprimento de promessas. Frederico Ozanam, homem de grande formação, tinha uma preocupação central com o trabalho e a integração na sociedade. A “esmola” não é vista apenas como um ato de ajuda, mas como a prática da caridade. Ozanam contou com o apoio da sua esposa, Amélia de Soulacroix, que, após enviuvar, continuou a expandir a sua obra.

O debate reforçou que a pobreza não é obra de Deus, mas da liberdade e do egoísmo humano, manifestados em cargas fiscais elevadas e na lentidão em resolver problemas sociais. Ozanam combateu preconceitos sobre os pobres e defendeu o direito dos trabalhadores à assistência do Estado, afirmando que a injustiça é a grande causadora da pobreza. De seguida, formaram-se oito grupos de reflexão para debater como tornar o Evangelho efetivo, focando-se na distribuição justa de bens, na educação da fé e na forma como se olha para os assistidos. As conclusões apontaram para a necessidade de maior disponibilidade, humildade, diálogo e atenção aos imigrantes com espírito cristão. O padre José Alves encerrou este momento com quatro recomendações: respeitar, dignificar, gratuidade e testemunhar.

O desafio de atrair a juventude

Ainda na parte da manhã, o diácono António José Clemente abordou o tema “Acolhimento de jovens nas Conferências Vicentinas”. Apresentou um percurso cronológico desde a primeira Conferência da Caridade, em 1833, até à renovação de 1958, notando que já nessa altura existia dificuldade em atrair jovens leigos. Atualmente, em 2026, apontou-se a falta de transparência e de abertura como barreiras. Os jovens procuram um amigo e um espaço para serem humanos, não um chefe.

Para inverter o afastamento causado pelo conflito de gerações ou pela pouca digitalização, sugeriram-se estratégias como horários compatíveis, empoderamento juvenil e a colaboração com outros grupos paroquiais. Em 2021, foram criados comités de jovens e, em 2023, Felgueiras acolheu iniciativas que antecederam a Jornada Mundial da Juventude, promovendo o Dia Internacional do Jovem Vicentino a 4 de julho.

Desafios e organização da SSVP

Após o almoço, o padre José Alves apresentou o futuro livro de São Vicente de Paulo, intitulado “Ver mais além”. Seguiu-se a intervenção de Lisete Oliveira, presidente do Conselho Central do Porto, acompanhada pelo canto do hino da juventude vicentina com Mariana Barriga. Foram enunciados nove desafios centrais: perseverança na caridade, misericórdia para não julgar, fé que gera ação, equilíbrio entre cuidar dos outros e de si, formação contínua, unidade na comunidade, cativar jovens através do digital, ocupar cargos com humildade e responsabilidade constante.

A encerrar, a presidente nacional, Fernanda Capitão, abordou a regra nacional e a orgânica da sociedade, composta pela Assembleia Geral, Direção e Conselho Fiscal. Sublinhou que os dons recebidos devem estar ao serviço de todos e que o trabalho em equipa é essencial, pois a conferência não pertence a ninguém, mas a Deus. Os leigos católicos são chamados, assim, a dar testemunho do caminho para Deus através do cumprimento da regra e da união fraterna.

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