Um fim de semana da Páscoa diferente: o Grupo de Jovens Santa Catarina, da paróquia da Azoia, desafiou os adolescentes do 9º e 10º ano a viver juntos estes dias de forma especial, através de uma experiência marcada pela fé, partilha e amizade. Sob o tema “O amor não morre na cruz”, a atividade destacou-se pela forma como ajudou os jovens a refletir sobre a grande mensagem que nos chega nestes dias e sobre a própria vida de cada um.

Com início na Sexta-feira Santa, a participação na celebração da Paixão de Cristo, seguida da tradicional Via-Sacra em comunidade, dava o pontapé de saída. Após as celebrações em comunidade, sob o mote “As Cruzes de Hoje”, os jovens partiram num percurso de bicicleta passando por vários pontos da freguesia. Simbolicamente, cada ponto representava as cruzes do quotidiano: as do dia a dia (aquelas que se cruzam connosco e não vemos), a cruz do cuidado e da paz, a cruz ao olhar de todos, a esperança que renasce e não tem fim, a cruz da confiança, a cruz da dor física e da esperança e a cruz que acolhe e que é âncora. São realidades muitas vezes invisíveis, mas presentes na vida de cada um.
Ao longo do caminho, os desafios iam sendo constantes, sendo um dos momentos mais marcantes a construção de uma cruz em barro pelas próprias mãos dos jovens. Cada um moldou a sua cruz, resultando numas mais tortas, outras mais direitas, umas mais esticadas, outras mais pequenas, algumas mais trabalhadas em que cada detalhe era uma autêntica obra de arte, outras mais simples, tal como na nossa vida em que cada cruz é única.
Do sofrimento ao amor que permanece
O percurso já noite trouxe um momento especial de partilha sob as estrelas, onde os jovens abriram o coração para falar de medos, injustiças e desafios. No ponto da confiança, houve ainda tempo para rezar uma Avé-Maria junto da Mãe, reconhecendo nela a confiança de quem, mesmo diante do sofrimento da cruz do seu filho, acredita no amor que permanece.
A chegada foi vivida de forma mais intimista, num momento de adoração à cruz, onde cada jovem ofereceu a sua cruz de barro, entregando tudo aquilo que ela representava. Aquela cruz era única, moldada com as próprias mãos, mas que não têm de carregar sozinhos, pois ela também é tocada e aperfeiçoada pelas mãos de Deus que, em silêncio, vai dando forma e sentido àquilo que somos. Em oração, cada um levou a sua cruz e a colocou junto da Cruz de Cristo exposta na igreja. No fim, cada jovem recebeu um fio com uma âncora, sinal visível de que o amor de Jesus é a nossa âncora, firme e segura, aquela que nos sustenta no meio das dificuldades da nossa vida.
Do silêncio ao amor que renasce e nos transforma
No dia seguinte, Sábado Santo, o ambiente já anunciava a esperança de um novo dia. Com o sol a nascer, os jovens reuniram-se para um pequeno-almoço ao ar livre, uma refeição já com mais iguarias, ao contrário do dia anterior onde o jantar foi marcado pela simplicidade do jejum. Seguiu-se a oração da manhã, um pequeno momento de encontro com Jesus junto do sacrário, num espaço onde este se encontrava ainda fora da igreja.
Sob o tema “Do Silêncio ao Amor que Renasce e nos Transforma”, os jovens foram convidados a parar, olhar para o seu coração e deixar-se transformar por este amor de Jesus. Este amor desafia sempre a ser melhores e a não ter medo de olhar para dentro, pois Ele está sempre lá para acolher, perdoar e transformar. Assim, no decorrer da oração, os jovens que quiseram puderam experimentar o sacramento da Reconciliação.
Ao longo do dia, os jovens prepararam mensagens de Páscoa para distribuir na Vigília Pascal e participaram ativamente na preparação desta celebração. Mas antes da Vigília, e como a noite já era de festa, os pais destes jovens juntaram-se para um jantar partilhado. Depois, participaram nesta grande celebração onde os jovens tiveram um papel importante, proclamando o precónio pascal e, em ação de graças, foram portadores da grande notícia, anunciando que Jesus está vivo e Cristo ressuscitou.
No final, via-se no rosto destes jovens a alegria de quem viveu uma experiência que os marcou. Esperamos que, em cada coração, tenha sido plantada a semente que um dia florescerá e testemunhará esta vida nova de Jesus Ressuscitado.