AFINAL, QUEREMOS INTEGRAR OU ASSIMILAR?

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Celebra a liturgia romana, neste dia três de Julho, a festa do apóstolo que desafiou os condiscípulos a irem a Jerusalém morrer com o Mestre, se fosse caso disso.

Chamava-se Tomé.

Tiro a outro Tomé, que a nossa tradição alatinada chama Tomás, as palavras sábias e piedosas que fazem referência ao episódio da vida do apóstolo, que todos conhecem e poucos lêem bem:

“Não vejo as chagas, como Tomé,

Mas confesso-te, meu Deus e meu Senhor.

Faz-me ter cada vez em ti mais fé,

Uma esperança maior e mais amor”.

Recuando alguns séculos, peço a santo Agostinho este passo de um dos seus sermões:

“É, pois, necessário que estejamos na barca, isto é, que sejamos conduzidos sobre o madeiro, para conseguirmos atravessar este mar. Ora bem, o madeiro que vence a nossa fraqueza, é a cruz do Senhor, com qual fomos assinalados e somos preservados de nos afogarmos nas tempestades deste mundo.

Somos acossados pelas ondas, mas Deus vem em nosso auxílio (Sermão 75,2.2).

No pequeno aposento que a direcção desta Casa me cedeu, para guardar parte dos meus livros, receber visitas e reuni-me de vez em quando com alguns amigos em oração e partilha espiritual, neste pequeno aposento guardo um crucifixo, que não digo donde veio, para evitar equívocos ofensivos de terceiros; mas que não posso contemplar sem, com a gratidão por quem mo cedeu, escutar as ondas de um mar revolto, tempestades tão furiosas como a iniquidade dos ventos que as sopram: porque, em meu entender, a maior hipocrisia que nos envolve, será o despudor dos que querem ser promotores da paz criando armas de guerra.

Este crucifixo veio aqui parar porque uma onda de secularismo, promovida pelos inimigos da liberdade das consciências, em conivência com os defensores do “politicamente correcto”, invadiu as nossas escolas, procurando limpá-las do melhor que nelas tinham deixado as últimas gerações.

Em vez de se ensinarem os mais novos a pensar em termos de respeito e acolhimento, claramente visíveis em muitos desses símbolos, eliminam-se despudoradamente.

Em nome do pluralismo, diz-se.

Mas que pluralismo?

Como é que os povos que chegam até nós esfomeados, sem outro bem que não seja a sua dignidade e a sua cultura milenar, percebem que estão noutra terra, com valores que, embora diferentes dos seus, ajudam a criar um ambiente de acolhimento, sem recusa, nem exploração?

Isso!

Façam desaparecer os símbolos cristãos desta Europa, que se formou através da permanente integração de povos das mais diversas origens!

Façam isso, e ninguém apagará da memória futura a mancha suja e viscosa do crime que se tem vindo a cometer, por se confundir a integração com a assimilação; assimilação que é um crime contra a humanidade, em qualquer regime, democrático ou não, por fortes que sejam as vozes que clamam o contrário.

Já por várias vezes me chegaram lamentos e lágrimas de dor porque, dizem, em certas zonas da Europa, se estão a vender templos e espaços sagrados cristãos a povos doutras crenças e culturas.

Peço que não se escandalizem por eu pensar que a única coisa errada que vejo nisso, é que se venda o que se abandonou e esvaziou do que poderia dar-lhe algum sentido.

Talvez que cedendo gratuitamente tais templos e espaços a quem lhes desse um sentido transcendente, estivéssemos a criar vias de integração que, inevitavelmente reduziriam as fontes do terrorismo: o tão falado e tão complexo fenómeno do terrorismo! Só quem não quer ver, não se dá conta de que ele prolifera onde, em vez de integração, se procura impor uma assimilação, como se fosse possível uma tal violação dos direitos fundamentais da pessoa humana, sem graves consequências para convívio entre as pessoas e as nações.

Não ignoro que estou a abordar uma questão extremamente complexa, cada vez mais difícil, devido à avalanche de teorias corrompidas pelos interesses inconfessáveis das piores ideologias, filosóficas, políticas, sociais e económicas.

Não vale a pena continuar a iludir as sociedades, propondo normas que apenas agravam os conflitos, nascidos da justíssima revolta contra uma igualdade que um dos patronos da cultura ocidental, considerava, há mais de dois mil anos, a maior iniquidade da lei.

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