Uma das mensagens mais fortes desta Páscoa foi a necessidade de atenção às situações de perseguição religiosa, nomeadamente dos Cristãos, em muitas zonas do planeta. Para esses, a Paixão parece ser a realidade que continua a marcar os dias e a Páscoa tarda em chegar.
Começando pelo Papa e passando por diversas instituições internacionais, a chamada de atenção para este flagelo dos tempos modernos chegou também com maior veemência aos meios de comunicação social. Ainda assim, são muitos os “gritos de socorro” que ainda não são ouvidos e a “indiferença” continua a marcar a maioria das sociedades ocidentais e, por arrasto, dos media e da opinião pública.
“Vemos ouvimos e lemos – não podemos ignorar”

Elencando muitos casos concretos de perseguição, não apenas de cristãos, apela aos media e a “todas as pessoas de boa vontade” que não ignorem o assunto, que levem “a Esperança a quem dela necessita” e que pratiquem a “Caridade através do apoio a todos aqueles que, no terreno, estão junto dos violentados e perseguidos”.
Apelo pascal do Papa Francisco

O Papa elogiou ainda a “ajuda palpável” de muitas pessoas e instituições para a defesa e proteção dos cristãos “perseguidos, exilados, mortos, decapitados” por causa da sua fé. “Eles são os nossos mártires de hoje e são muitos, podemos dizer que são mais numerosos do que nos primeiros séculos”, cita a agência Ecclesia.
Primeiro-ministro inglês defende cristãos perseguidos

Mas o ponto que sublinhamos é a referência aos cristãos perseguidos pelo mundo e a obrigação que as sociedades ocidentais têm de serem solidárias e lutarem ativamente contra essa “chocante” forma de opressão.
Metro de França recusa frase “pelos cristãos do Oriente”

Que faz o nosso país pelos Cristãos do Próximo Oriente?

Esta constatação de Luís Salgado de Matos, no seu blogue “Estado e Igreja”, é desenvolvida numa análise a algumas das iniciativas internacionais sobre este tema. No final, em resposta à pergunta que dá título ao artigo, outra constatação: “o Estado português nunca desenvolveu a menor ação significativa para proteger os cristãos no Médio Oriente”.
Ajuda à Igreja que Sofre

Nasceu para auxiliar os refugiados da Alemanha de Leste que fugiam da ocupação comunista, mas rapidamente se espalhou pelos campos de refugiados dos cinco continentes, sendo em muitos casos a única organização presente como resposta aos numerosos e urgentes apelos que chegam a todo o momento. Desdobra-se, ainda, em campanhas de oração e em missões diplomáticas e de negociação pela paz, elaborando anualmente um exaustivo relatório sobre esta realidade em todos os países do mundo.
Nesta Quaresma, editou uma Via-Sacra meditada pelas famílias refugiadas da Síria, “um convite à oração pela paz em comunhão com este povo que vive num clima de terror, miséria e de enorme sofrimento”. Os textos são de D. Samir Nassar, arcebispo de Damasco, que esteve em Portugal no final de 2013. Na oração do Terço, na Capelinha das Aparições, disse: “Vim a Portugal para consagrar o povo da Síria a Nossa Senhora de Fátima e solicitar as vossas orações pela Paz! Precisamos das vossas orações!”
No prefácio desta Via-Sacra, diz D. José Alves, arcebispo de Évora: “Cada palavra está carregada de sentido. Em cada palavra ecoa a vida atribulada de milhares de pessoas de todas as idades e condições”.