Congregação das Servas da Santa Igreja

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Nota do editor: o presente artigo foi elaborado no contexto do Ano da Vida Consagrada, celebrado pela Igreja entre 30 de novembro de 2014 e 2 de fevereiro de 2016, por convocação do Papa Francisco, com o objectivo de sublinhar a alegria, o testemunho profético e a comunhão próprios da vida religiosa. A sua publicação no website data de 4 de fevereiro de 2016.
Em 2025, o GIC foi contactado por um membro da congregação em causa, solicitando a substituição do texto. Contudo, não se afigura adequado proceder à alteração de um artigo publicado e impresso há cerca de dez anos, ainda que tal pedido parta de actuais membros da congregação referida, tanto mais que o seu conteúdo foi, à época, validado através de contactos com membros da mesma congregação.
Ainda assim, e a título de esclarecimento e transparência editorial, publica-se de seguida, após o texto original, a versão entretanto enviada.


Fundada por D. Manuel Mendes, arcebispo de Évora, em 1945, esta congregação tinha um objectivo muito concreto: trabalhar pela recristianização de Portugal, a partir do Alentejo. O seu carisma confunde-se, assim, com o espírito do fundador.

Nascidas para evangelizar um país descristianizado

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Manuel Mendes da Conceição Santos nasceu em 1876, na paróquia de Olaia, Torres Novas, e entrou no Seminário de Santarém em 1890. Cinco anos depois foi enviado para Roma pelo Patriarca de Lisboa, D. José Sebastião Neto, para completar os estudos, tendo-se doutorado em Teologia e em Letras Latinas pelo Instituto Leão XIII.

Regressando a Portugal, constatou a necessidade da recristianização do povo, envolvido nas ideias anti-clericais da época. Em 1905, foi chamado pelo bispo da Guarda, D. Manuel Vieira de Matos, para o cargo de vice-reitor do Seminário, de onde exercia uma defesa vigorosa da Igreja perante os ataques que lhe eram feitos, também através da imprensa.

Já depois da instauração da República, em que esses ataques se intensificaram pela movimentação política, foi ordenado Bispo de Portalegre, em 1916. Encontrou uma diocese sem seminário, com reduzido número de sacerdotes e, consequentemente, com um povo descristianizado.

O seu intenso labor apostólico levou a que fosse nomeado para Évora, onde entrou como arcebispo em 1921. Também aqui se repetiam os problemas de uma sociedade esquecida dos valores cristãos e afastada da prática religiosa, com a Igreja consequentemente esvaziada de fiéis. Mais uma vez lançou mãos à obra, mobilizando os leigos, procurando vocações sacerdotais e chamando congregações religiosas para o ajudarem nessa luta pelo regresso ao Evangelho. Foi neste contexto que decidiu fundar uma congregação feminina com o carisma específico da evangelização, em 1945, a que chamou Servas da Santa Igreja.

Faleceu em 1955, deixando esse legado a perpetuar o seu espírito apostólico, reconhecido com a introdução do processo de canonização, em 1972, a pedido do Movimento dos Cursos de Cristandade.

 

Carisma evangelizador

Para a fundação da Congregação terá contribuído o conselho de um seu antigo companheiro de D. Manuel Mendes em Roma, Eugénio Pacelli, então Papa Pio XII. O primeiro motivo foi a necessidade de ajuda no trabalho de evangelização do escasso clero diocesano em Évora.

Com o lema “Eis a serva do Senhor”, as primeiras Servas da Santa Igreja assumiram como missão colaborar na dinamização de comunidades paroquiais, algumas sem pároco, nomeadamente, na organização de retiros, animação e formação de grupos, catequese, orientação de um lar de jovens estudantes, acompanhamento domiciliário às famílias, em colónias de férias para crianças carenciadas, etc. Mas, muito especialmente, no apoio às “missões populares itinerantes”, promovidas por todo o Alentejo.

Têm presentemente três comunidades na Arquidiocese de Évora, mas andaram temporariamente por outras dioceses, como Aveiro, Braga, Lamego e Leiria.

 

Casa D. Manuel Mendes em Fátima

O fundador das Servas da Santa Igreja era um grande devoto de Nossa Senhora de Fátima. Foi ele, aliás, que benzeu a 1.ª pedra da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, a 13 de maio de 1928.

Nos dez anos em que acompanhou a congregação, escolheu este santuário mariano como local para orientar 11 retiros para senhoras. Após a sua morte, as irmãs continuaram esse apostolado, organizando até hoje mais de uma centena de retiros para leigos, jovens e religiosas, geralmente nas casas do Santuário.

Em 1967, vieram duas irmãs em permanência para Fátima, uma para trabalhar no Exército Azul e outra na Cruzada do Rosário. Tendo falecido em 1995 e 2002, respectivamente, outras irmãs mantiveram a comunidade até 2004, exercendo o seu apostolado através das visitas às famílias e levando a comunhão aos doentes. Mas a idade avançada o reduzido número de membros da congregação levaram a que a comunidade deixasse de ali residir em permanência.

Actualmente, a casa, a que foi dado o nome de D. Manuel Mendes, serve para apoio à congregação, aquando da participação em cursos, semanas de estudo, férias das irmãs, reuniões, retiros e encontros de pequenos grupos de jovens, peregrinações, etc.

 

Testemunho vocacional

Foi na oração que recebi a força para a decisão

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Sou natural da paróquia de Évora de Alcobaça, Patriarcado de Lisboa, onde fiz a minha caminhada cristã. Foi especialmente marcante o dia em que recebi o sacramento do Crisma e senti o impulso de ser catequista, partilhando a fé recebida dos meus pais e catequistas e a fé que fui vivendo como jovem. A experiência como catequista foi muito significativa, ajudando-me no empenho na paróquia e no compromisso cristão.

Na adolescência, também tive momentos em que me apetecia não participar na Eucaristia, mas a firmeza, o apoio e o testemunho de meus pais ajudavam-me a ir em frente, a não desistir. E foi numa Eucaristia que, um dia, me tocou profundamente esta passagem do Evangelho: “Disse-lhes Jesus: «Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens». E eles deixaram as redes imediatamente e seguiram-no” (Mt 4, 19-20). Nesse dia senti que Jesus me estava a dizer: “Maria de Jesus, vem comigo, deixa tudo, vai anunciar-Me”. Procurei rezar este desafio que Jesus me fazia no meu íntimo, de deixar as “redes”, sobretudo a minha família e a minha terra. O certo é que foi na oração que recebi a força para a decisão de responder ao chamamento.

Depois de algum tempo de discernimento, tomei a decisão de entrar na Congregação das Irmãs Servas da Santa Igreja, movida pelo seu carisma de serviço no anúncio do Evangelho. Tive o meu tempo de formação religiosa, com o Noviciado, os primeiros votos e os votos perpétuos.

Ao fim deste 25 anos de consagração a Deus, que celebrei neste Ano da Vida Consagrada, agradeço ao Senhor o chamamento que me faz viver em cada dia e me conduz para o serviço dos irmãos que mais precisam, nas diversas paróquias por onde tenho sido chamada a evangelizar.

Este ano, a Congregação foi convidada a abrir uma nova comunidade no Alentejo, na paróquia de Palma, em Alcácer do Sal, respondendo ao convite do Papa Francisco a ir para as periferias. É desta comunidade que eu e mais duas irmãs fazemos parte. Irradiamos também a nossa acção às paróquias de Alcácer do Sal, na sua extensão em diversos bairros.

Quanta alegria sinto pela vocação a que o Senhor me chamou e chama em cada dia. Quero estar disponível para as diversas interpelações e desafios que surgem na minha missão de serviço no anúncio do Evangelho.

Ir. Maria de Jesus Delgado Vicente

Números

Em Portugal

Casas: 3

Membros: 16

Na Diocese

Casas: 1

Membros: 0


Segue texto enviado pela Irmã Maria de Jesus D. Vicente no dia 27 de janeiro de 2026 para substituição do original:


IRMÃS SERVAS DA SANTA IGREJA

As Irmãs Servas da Santa Igreja são uma Congregação Religiosa fundada a 24 de setembro de 1945, por Dom Manuel Mendes da Conceição Santos, Arcebispo de Évora. 

Dom Manuel Mendes, sentiu-se interpelado a fundar uma Congregação Religiosa para colaborar na pastoral das paróquias. Numa das visitas a Roma, o Senhor Arcebispo, apresentou o seu pensamento ao Papa Pio XII, que tinha sido seu colega no tempo da universidade, em Roma. O Papa animou-o, “funde, funde e não lhes dê hábito”.

 Foi assim que a 24 de setembro de 1945, dá início à Congregação das Servas da Santa Igreja. 

No dia 22 de abril de 1981, a n Congregação é aprovada em Roma. Somos Servas da Santa Igreja, reconhecidas no nosso carisma e missão.

No dia 7 de junho de 1981, Dom David de Sousa declarou as Servas da Santa Igreja como Congregação Religiosa.

Servas da Santa Igreja: vida e missão

Somos um grupo de Irmãs constituídas em comunidade para servir ao modo de Jesus Servo.

Somos Consagradas ao Pai, em Cristo, pela força do Espírito Santo. É na comunidade que fazemos a experiência do amor de Deus. Cristo reuniu-nos para nos confiar uma missão que só com a força da fraternidade se poderá realizar. É na Eucaristia que vivenciamos de modo especial, a união a Cristo como o centro da nossa vida.

A Maria, a primeira Serva, imploramos a proteção maternal e confiamos-lhe as nossas atividades, tendo como lema “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Vossa Palavra”

Somos enviadas em missão, ficando unidas à Comunidade que nos acompanha no mesmo espírito de serviço.

Pelo nosso Carisma de Servas da Santa Igreja, 

Somos chamadas a ser sinal e testemunhas da condição de Jesus Servo que veio para Servir e  dar a Vida por todos (Cf. Mt 20, 28). A ser continuadoras do “serviço de Jesus” que promove a liberdade, a igualdade, a dignidade do ser humano e o respeito pelas diferenças.  A anunciar o Evangelho de Cristo Servo de “cidade em cidade, de aldeia em aldeia” para mostrar aos homens a presença de Cristo, princípio de salvação, e revelar-lhes o Seu Amor.

Pela nossa Espiritualidade

Somos chamadas a servir a Igreja e, consequentemente toda a humanidade, ao jeito de Cristo Servo, numa atitude de proximidade, despojamento, procurando sempre e, em primeiro lugar a vontade de Deus. A nossa vida deve ser, à imagem do incenso, uma oferenda a favor da humanidade, vivida numa confiança sem limites nos desígnios de Deus. 

Movimento de Leigos

A espiritualidade do nosso Fundador estende-se também a um grupo de Leigos.

Desde o início, D. Manuel Mendes tinha este objectivo: um grupo de leigos empenhados na vida cristã, em união com as Servas, segundo os Estatutos que lhes são próprios. Nos Estatutos primitivos das Servas da Santa Igreja, pode ler-se que os leigos são chamados a “secundar discretamente nos seus meios a ação das Servas” (n.º 8). Fazem-no sobretudo pela oração, empenhamento nas comunidades paroquiais e pela colaboração nos nossos trabalhos apostólicos. Este Movimento é constituído por Leigos ao Serviço da Igreja e por Jovens ao Serviço da Igreja.

Leigos consagrados ao serviço da Igreja 

Entre os Leigos podem surgir os que se sentem interpelados a professar os Conselhos Evangélicos de pobreza, castidade e obediência, mas continuando a sua condição laical. É um modo de viver a nossa Espiritualidade e Carisma em atenção aos sinais dos tempos. 

A GRANDE DEVOÇÃO DE D. MANUEL MENDES A NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

D. Manuel Mendes da Conceição Santos era um grande devoto de Nossa Senhora de Fátima.

Foi ele, quem benzeu a primeira pedra da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, a 13 de maio de 1928. 

Nos dez anos em que acompanhou a Congregação, escolheu este Santuário mariano como local para orientar retiros para senhoras. As Irmãs tem continuado este trabalho que se realiza nas casas do Santuário.

As Servas da Santa Igreja têm uma Comunidade, “Casa de D. Manuel Mendes”, na Cova da Iria, na Rua Francisco Marto n.º 6, onde residem algumas Irmãs, procurando ser uma presença ao serviço da Igreja, quer através da hospitalidade e da promoção da pastoral juvenil da Congregação, quer colaborando na pastoral paroquial, na paróquia de Fátima. 

NÚMEROS

Em Portugal

Casas: 1

Membros: 8

Na Diocese: 

Casas: 1

Membros: 4

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