12 factos sobre a Missão Missão Diocesana no Gungo

 O padre Vítor Mira foi o pioneiro da Missão diocesana no Gungo. Quando partiu, em 1993, levava uma agenda para dois anos, mas acabou por ficar durante três anos e meio. Pouco tempo depois de voltar, envolveu mais pessoas para um projeto missionário que tivesse uma maior integração da Diocese.

Em 2000, é iniciado, através do grupo diocesano Ondjoyetu, criado um ano antes, o “Projecto ASA – Acção Solidária com Angola”, que decorreu até 2006, altura em que as dioceses de Leiria-Fátima e Sumbe assinaram um acordo de geminação, que levou para o Gungo dois padres e três leigas para um acompanhamento permanente da Missão.
Em conversa com o Presente Leiria-Fátima, o padre Vítor Mira pôs-nos a par daquilo que foi, é e espera ser uma Missão que conta mais de duas décadas de existência.

 

Um espaço de Missão maior que a Diocese de Leiria-Fátima

Espaço abrangido pela Missão é a Comuna do Gungo, um espaço maior que a Diocese de Leiria-Fátima, que abrange uma área de cerca de 2.200 Km2. Nas zonas mais distantes a Missão só vai uma vez por ano, onde está três a quatro dias com a respetiva comunidade. Estas comunidades vão, com alguma frequência, à sede da Missão.

 

Fazer chegar a mensagem

Uma das grandes dificuldades da Missão prende-se com a comunicação e o conseguir fazer chegar às pessoas as mensagens, numa realidade em que os meios de comunicação são escassos e as estradas são poucas e em mau estado, o que dificulta o acesso às comunidades. O Unimog, um camião versátil com características específicas para trilhar todos os tipos de terreno, ao dispor da Missão desde 2010, tem sido uma mais valia nas deslocações.

 

Uma aposta na Sede da Missão, na Donga

Devido à dificuldade nas deslocações pela comuna, a Missão tem apostado muito na sede, na Donga, um local onde “têm sido criadas estruturas que permitam acolher bem as pessoas que lá vão e alguma sustentabilidade à Missão”.

 

A Missão continua em duas frentes, que estão interligadas

Evangelização direta com ações de formação na Donga e visitas pastorais pela comuna onde é feito um acompanhamento mais próximo às comunidades, é dada assistência espiritual e ações locais, reuniões, formação de catequistas, preparação dos grupos para os Sacramentos.
Na parte social, continua-se com a moagem, um projeto de auto-sustentabilidade inaugurado em 2012, que “visa criar fundos para crescer”. Abriu-se uma cantina (loja de venda ao público) na Donga, que tem sido muito procurada pelas pessoas. “Como a Missão está numa zona muito avançada do Gungo, distante em relação às cidades, aquela cantina serve de primeira referência”.

 

Vende-se quase tudo, menos bebidas alcoólicas

Na cantina da Missão vende-se de tudo um pouco, desde gasolina até bens alimentares… Só não se vendem bebidas alcoólicas. Esta decisão prende-se com o facto do alcoolismo ser uma das chagas daquela sociedade.

 

A Boa Nova que é novidade

Para quem consegue perceber a sua riqueza, o Evangelho apresenta-se como uma verdadeira novidade. “É comum uma ideia quase mágica dos Sacramentos e da Igreja. Muitos querem o Batismo quando estão a morrer, apenas para se salvar, naquela ideia de viver como se quer, na esperança de um salvamento às portas da morte.

 

O “cristão pisca-pisca”

No discurso homilético junto das comunidades, o padre Vítor Mira costuma falar do “cristão pisca-pisca”, aquele que “hoje é e amanhã não é, um dia com muito entusiasmo e no outro já não aparece, hoje reza e amanhã embebeda-se. Um cristão que é como o fogo no capim (mato), que arde com muita força e chama, mas que se apaga de repente”.

 

A vida pára quando morre alguém

A tradição do óbito é muito forte, com as pessoas a deixarem tudo para ir ao óbito de alguém e estão lá um dia ou uma semana só para aquilo. Quando alguém morre, tudo pára, inclusive os trabalhos. Há empresas que se queixam que há empregados que estão a falhar constantemente porque o “pai” morreu, porque até os tios são chamados de pais. Esta tradição cultural complica muitas das atividades propostas pela Igreja.

 

Os catequistas que querem ser os “Sobas” da Igreja

Na cultura angolana, um Soba é um autoridade tradicional local que exerce a sua ação numa determinada aldeia. Alguns catequistas procuram ser vistos como uma espécie de Sobas da Igreja. “Agarram-se ao lugar e exercem o serviço como um direito e não como um dom, não permitindo que seja ocupado por outros e afirmando-se líderes da comunidade da qual participam.” Esta vontade de exercer um poder que não lhes compete tem fragilizado algumas comunidades.

 

Muitas igrejas à volta da Igreja

Nos últimos anos tem-se assistido a um proliferar de seitas religiosas que “oferecem sobretudo promessas, insistindo na oração para a cura”. Tentam cativar as pessoas pobres, em comunidades mais pobres e enfraquecidas, com roupa e comida.

 

E fez-se luz… O “grande passo”da energia solar

A energia elétrica, conseguida através de painés solares instalados pela Missão, foi um grande passo. Agora, já é possível executar determinados tipos de trabalhos como tirar fotocópias, imprimir fotografias e até carregar aparelhos de telemóveis. “Até termos disponilizado a energia elétrica na Missão, as pessoas tinham de fazer 130 quilómetros para tirar uma fotocópia.”

 

Matrimónio versus tendência para o amigamento

A redução do número de Casamentos na Missão nos últimos tempos explica-se, na óptica do padre Vítor Mira, por um lado, crescente tendência para o “amigamento” (termo local para designar a vida conjugal fora do Matrimónio), devido a factores sociais que derivaram da guerra como a destruturação familiar e a perda de valores e, por outro, pela maior exigência da Missão na preparação dos casais para o Sacramento matrimonial.

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