O Dicastério para a Doutrina da Fé divulgou a nota Una caro, que reafirma o casamento como união exclusiva entre um homem e uma mulher e rejeita modelos como o poliamor. O documento, aprovado pelo Papa Leão XIV e assinado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández, alerta para um contexto cultural em que o valor do amor exclusivo é obscurecido, apontando as redes sociais como espaço onde desaparece o pudor e se multiplicam formas de violência simbólica.
A nota responde também ao diálogo com bispos africanos sobre a poligamia, reconhecendo a complexidade de algumas tradições, embora sublinhe que esta prática é geralmente tolerada por motivos de sobrevivência. O texto considera que poligamia, adultério e poliamor assentam na ilusão de que a intensidade afectiva se encontra na sucessão de relações, dissolvendo a unidade do vínculo.
Recorrendo ao pensamento de Karol Wojtyla, a nota define a monogamia como expressão da dignidade da pessoa e alerta para relações marcadas pela posse, que podem evoluir para violência. Defende a necessidade de estabelecer limites e preservar o respeito mútuo.
O Vaticano valoriza ainda a “fecundidade multiforme”, afirmando que o matrimónio mantém o seu valor integral mesmo quando os casais não podem ter filhos. A dimensão unitiva da sexualidade é realçada contra perspetivas que a reduzem à procriação.
Num contexto de fragilidade das uniões, a nota propõe o noivado como tempo de amadurecimento e defende que a educação para a monogamia não é imposição moral, mas caminho para um amor duradouro que abre à transcendência.