No domingo, dia 27 de setembro de 2026, na véspera dos 50 anos da entrega da Capela de Santa Bárbara à Paróquia das Cortes, a comunidade da Amoreira reuniu-se para fazer memória de um acontecimento que permanece inscrito na sua história. A 28 de setembro de 1976, D. Judite de Menezes entregou a capela em nome da família e o Pe. Fernando Oliveira Jorge recebeu-a em nome da Paróquia das Cortes.
A evocação realizada no dia 27 não procurou apenas recordar uma data. Procurou dar tempo à memória, reconhecendo que uma comunidade também se constrói a partir daquilo que recebe, guarda e transmite. Cinquenta anos depois, o gesto de 1976 continua a interpelar quem hoje habita este lugar e participa na sua vida.
A entrega da capela foi um gesto concreto de confiança. Uma família colocou nas mãos da comunidade um espaço que, desde então, passou a fazer parte da caminhada da Paróquia das Cortes. A história que se seguiu foi sendo escrita por muitas pessoas: famílias, sacerdotes, benfeitores e membros da comunidade que encontraram na Capela de Santa Bárbara um lugar de encontro e de pertença.

D. Judite de Menezes e Pe. Fernando Oliveira Jorge recordados
Por isso, a memória de D. Judite de Menezes foi evocada não apenas como memória de uma pessoa, mas como reconhecimento de um gesto cuja fecundidade atravessou gerações. Entregar é também confiar. E aquilo que é confiado ganha uma vida que já não pertence apenas a quem o oferece.
Do mesmo modo, recordar o Pe. Fernando Oliveira Jorge, que recebeu a capela em nome da Paróquia, é recordar todos os sacerdotes que, ao longo destes 50 anos, acompanharam a comunidade. A sua presença faz parte de uma história que não se resume a nomes ou datas, mas que se reconhece nas relações, nas celebrações, nas famílias e nas muitas vidas que passaram por este espaço.
A evocação assumiu, assim, uma dimensão de gratidão. Há memórias que não nos prendem ao passado; ajudam-nos a compreender quem somos. A história da Capela de Santa Bárbara é uma dessas memórias: recorda de onde veio a comunidade e, ao mesmo tempo, coloca nas mãos das gerações presentes a responsabilidade de continuar aquilo que recebeu.
Uma história que continua
Na véspera da data em que, há meio século, a capela mudou de mãos, a comunidade foi convidada a permanecer por instantes diante dessa história. Não para a encerrar numa celebração de aniversário, mas para reconhecer que o passado continua a oferecer futuro quando é recebido com gratidão e responsabilidade.
A 28 de setembro de 1976, uma família entregou uma capela e uma paróquia recebeu-a. Cinquenta anos depois, a comunidade da Amoreira reconhece que recebeu muito mais do que um edifício: recebeu uma história, uma responsabilidade e um lugar onde várias gerações aprenderam a chamar comunidade à sua experiência de fé.