Uma Igreja que se dá a perceber aos jovens

No ano dedicado à juventude, um Bispo foi ao seu encontro

A Diocese de Leiria-Fátima está a celebrar o primeiro ano do biénio pastoral dedicado aos jovens. Esta opção da Igreja diocesana implica, forçosa e necessariamente uma atenção especial para a realidade juvenil, que se concretiza em duas vertentes. Primeiro, interessa perceber os jovens de hoje. E percebê-los, obriga a encontrar respostas às habituais perguntas: quem, quando, como e onde. Concretamente: 

— quem são, para traçar um perfil psicossociológico que defina o conceito de juventude;

— quando são, para situar na linha cronológica da vida da pessoa o corte temporal que diz respeito à sua juventude;

— como são, para perceber os seus hábitos de consumo e de relação social, religiosa e até política;

— onde são, identificando espaços de realização pessoal e social.

A segunda vertente, que depende da primeira, diz respeitos às respostas que a Igreja dá ou deve dar aos jovens. Mais uma vez, repetem-se as questões tradicionais: quem, quando, como, onde. A todas estas interrogações, as respostas encontradas ajudarão a perceber a grande pergunta: porquê?

Uma das apostas concretas que foram previstas no plano pastoral, foi o contacto, tão pessoal quanto possível, do bispo D. António Marto com os jovens da Diocese. Contacto esse que, para já, foi realizado nos chamados encontros vicariais de jovens. Privilegiou-se a faixa etária do pós-Crisma, embora, na maior parte dos encontros, houvesse afluência de jovens que se preparavam para o Crisma, e até adolescentes, por convite dos agentes pastorais das várias comunidades.

De forma resumida, foi dada a oportunidade aos participantes para fazerem perguntas ao Bispo, que tentou responder a todas, sem reservas de qualquer espécie. E isso, para a audiência que se augurava difícil, fez toda a diferença: saber que que o seu Pastor não só dá respostas, como também gosta de dar respostas. Eles gostam disso: que se converse com eles, que sejam ouvidos de facto, que se fale com eles. Estou convencido de que aos jovens interessa tanto o conteúdo como a própria forma das intervenções e das interlocuções do Bispo e, por conseguinte, da própria Igreja. Num tempo em que os paradigmas da comunicação foram alterados de maneira tão dramática com o advento da internet e o aumento constante e exponencial da circulação de bits por segundo, há mudanças nos procedimentos mentais de aquisição de informação, sobretudo naqueles a que chamamos nativos digitais por pertencerem a uma geração que sempre coabitou com o fenómeno digital. E entende-se intuitivamente que, numa primeira fase de contacto com a mensagem, o interlocutor privilegia o canal visual que, por ser mais rapidamente interpretado, é o que funcionará como gatilho para a decisão binária de aceitação ou não aceitação do conteúdo. Ora, seguindo esta lógica, o D. António quis apresentar-se no espaço dos próprios jovens, pelo que o périplo por todas a Diocese foi antecedido por um trabalho feito por equipas locais que se esforçaram por preparar um espaço que fosse familiar para o auditório e onde o orador se sentisse confortável. Pode afirmar-se, sem dúvida, que a temporada de encontros foi também um processo de aprendizagem para o Bispo que, embora tivesse de responder a questões semelhantes em todos os encontros, foi adaptando a linguagem e os tempos ao que os jovens esperavam dele.

Depois de cada encontro, em conversas informais com os seus destinatários, percebeu-se que, da parte destes havia uma imagem do Bispo fundamentada em preconceitos que, notoriamente, são herdados de gerações anteriores e, sobretudo, de percepções generalizadores que nem sempre correspondem à realidade. Foi habitual ouvir reações de espanto, porque, afinal, “ele não era bem o que tínhamos pensado”, sobretudo pelo à vontade com que respondeu a todas as questões.

Um dos aspetos em debate sempre que se aborda a relação dos jovens com a Igreja, tem a ver como a própria Igreja se comunica. Por norma, a conclusão é: a Igreja não fala a linguagem dos jovens. Estes encontros também serviram para mostrar a falácia dessa afirmação. Não deixando de usar a sua própria linguagem, o bispo D. António Marto fez-se perceber. E aqui reside também a força do testemunho que é dado através de uma comunicação honesta e sincera e que não é travestida de códigos com que o emissor não se identifica. D. António Marto usou a sua própria linguagem, mas fê-lo de maneira a que os destinatários percebessem, nos espaços que são deles.

(Publicado na revista Stella, nº 695)

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