Um caudal de juventude

Em 1998 vivi um banho de imersão na juventude, aquando das JMJ – Jornadas Mundiais da Juventude em Paris.

Juventude é uma realidade social permanente.

Na vida concreta de cada pessoa, a juventude é uma etapa caudalosa de energia e sonhos.

Uma etapa que abre caminhos e está sempre presente em cada tempo, e em cada cultura.

A etapa da juventude é como uma porta de entrada na vida adulta. É como uma nascente de onde jorra vida nova para a pessoa, para família e para a sociedade.

Em 1998 vivi um banho de imersão na juventude, aquando das JMJ – Jornadas Mundiais da Juventude em Paris.

Eu acompanhava um grupo de jovens em formação para a Vida Religiosa.

O que vivi então?

Durante o ano anterior, foi a riqueza da preparação orientada pelo Comité Nacional: as burocracias e mais que isso, a caminhada de vida com vivências e celebrações diversas a nível nacional, diocesano e local. Fomos caminhando por dentro e em grupo para as JMJ muito antes de lá chegar.

Recordo que foi particularmente significativo o facto da colaboração económica ser igual para todos de modo a aliviar quem vinha de mais longe. Assim se favorecia a participação do maior número possível dos jovens de países distantes e com dificuldades económicas.

Na chegada a Paris, aquela cidade que eu já conhecia um pouco, foi a surpresa total! Paris estava agora completamente transformada num mar de juventude! Vinham de todas as partes do mundo, de todas as raças nações e línguas! ( Ap. 7,9) Todos nos entendíamos, nos relacionávamos como numa família, num só coração e numa só alma ( At. 4, 32) como os primeiros cristãos.

À chegada, éramos informados da paróquia que nos acolhia, recebíamos um saquinho que continha as orientações para esses dias: a senha das refeições que aconteciam em vários jardins e a senha/bilhete único para qualquer meio de transporte dentro de Paris.

As ruas de cidade estavam transformadas em rios de jovens identificados com as bandeiras de seus países. No ar, ecoava a música harmoniosa de cânticos em todas as línguas. Era o testemunho vivo que Paris era agora a cidade de Deus e que Deus mesmo a habitava naqueles milhares de jovens vindos dos quatro cantos da Terra.

O programa era rico e variado. Cada grupo escolhia de acordo com o seu alojamento, a sua língua e suas preferências, em plena liberdade.

As igrejas, todas abertas, enchiam-se de jovens que escutavam catequeses na sua língua, participavam na Eucaristia, celebravam o Sacramento da Reconciliação. Havia sempre sacerdotes a atender e filas de jovens para serem atendidos. Também entravam simplesmente para visitar e/ou ficar uns momentos em oração silenciosa.

Em cada esquina, praça ou jardim encontrávamos grupos artísticos, animações de toda a ordem, festa ao vivo.

Junto à Torre Effel, o Papa João Paulo II é recebido em grande apoteose de música, palmas e festa.

Em Longchamp para as celebrações finais, era um verdadeiro oceano de juventude, vida, entusiasmo, silêncio e oração! Era o desafio a deixar-se encontrar por Deus que habita a Pessoa Humana no mais profundo do seu SER. Sim, eram os jovens expressando a sede do encontro com a sua dimensão espiritual e profunda em Deus! Era Deus, Amor Trindade, a vir ao encontro da Pessoa Humana nos jovens dos nossos dias! Como outrora no Génesis, ali estava Deus a perguntar – onde estás? ( Gn. 3,

9) Sim, Deus ali presente a dizer-lhes pessoalmente que o Jardim do Eden está dentro de cada um e de cada uma e convida para o encontro pessoal.

Como poderei descrever o que então vivi?!

Parafraseando o Apocalipse, sinto ainda ecoar dentro de mim: Eu vi a cidade santa, a nova Jerusalém em Paris, vinda de todos os cantos do mundo, bela, adornada de juventude cheia de Deus para o nosso mundo. ( Cf. Ap. 21, 2 -3)

Sim, a Juventude é a oferta carinhosa, o tesouro admirável do nosso Deus Amor Trindade ao mundo. É oferta permanente, contínua de Deus! É como um caudal de vida nova sempre capaz de renovar a sociedade. “Eis que eu faço novas todas as coisas”. ( Ap. 21, 5 )

Este caudal de juventude começado em 1985 pelo Papa João Paulo II, vem percorrendo mundo e é mantido por cada Papa. É o testemunho vivo da sede de Deus nos jovens do mundo inteiro. A sede e fome que toda e qualquer Pessoa Humana sente do encontro com Deus que a habita. É também o sinal vivo de Deus em busca da Pessoa Humana hoje, nos nossos dias, no nosso mundo doente e fugitivo. É Deus Amor a percorrer o mundo, e na pessoa dos jovens, a manifestar a Sua presença viva, o seu desejo de nos tornar felizes. E os jovens escutam a mensagem dentro de si mesmos e também através do Papa que os acompanha e lhes fala.

Deus tem saudades de nós! Em cada JMJ Ele vem visitar-nos , vem procurar-nos e viver connosco. Sim, vem mostrar quanto ama cada pessoa tal como ela é; quanto nos quer felizes, saudáveis e irmãos. Deus Amor vem viver entre nós e connosco com a força da Vida que é Ele mesmo. Deus Criador que nos quer recrear e modelar de novo.

Em cada jovem está um tesouro escondido do Amor de Deus Pai. Cada jovem é oferta da novidade de Deus ao mundo. Assim, se torna presente a Pessoa e a mensagem de Jesus Cristo que no Espírito Santo se oferece e nos oferece com Ele ao Pai. E esta consciência dá sentido à vida, dá razões para viver e ser feliz.

Em 2023, é a vez de Portugal ser o palco deste festival mundial de Juventude. Portugal é chamado a acolher esta Juventude que vem de todas as partes. Cada família, cada pessoa é convidada a acolher no seu coração, na sua casa, esta presença viva de Deus entre nós, nos jovens que chegam.

Sim, é o convite, o desafio para mim, para ti, para todos: E eu, e para mim o que significa este acontecimento único? Que fiz, que faço para me deixar transformar e banhar neste caudal do amor imenso do nosso Deus Trindade que me busca, procura e vem visitar?

Como Maria de Nazaré somos todos convidados a ir a toda a pressa e abrir as portas do nosso coração, da nossa mente e da nossa pessoa toda inteira para acolher a mensagem de Deus Amor neste acontecimento que são as Jornadas Mundiais da Juventude aqui na nossa terra.

Sim, antes de Lisboa os jovens vêm a cada diocese, a cada paróquia, a cada família, a cada pessoa que os acolhe.

Há pressa no ar, canta o hino das JMJ. Há pressa no ar, pressa em abrir as portas do coração, as portas da casa, as portas do amor que nos habita e de que somos feitos .

Sim, há pressa no ar, muita pressa em acolher o caudal de jovens que nos vão chegar de todo o mundo, e neles, acolher a visita de Deus Amor Trindade.

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