Terceira sessão online sobre sinodalidade reuniu 170 participantes na Diocese

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A diocese de Leiria-Fátima realizou, na noite de 1 de dezembro de 2025, a terceira e última sessão de formação online sobre sinodalidade, que registou a participação de 170 agentes pastorais. A iniciativa, enquadrada na preparação para as visitas do bispo D. José Ornelas às unidades pastorais, visou avivar a consciência da pertença eclesial à luz da sinodalidade proposta pelo Papa Francisco. A sessão integrou o projeto pastoral diocesano “Pelo Batismo somos Igreja viva e peregrina”, para o triénio 2023-2026.

A formação inseriu-se na implementação do projeto pastoral diocesano “Pelo Batismo somos Igreja viva e peregrina”, lançado para o triénio 2023-2026, que propõe uma renovação da organização e da vida da Diocese à luz da sinodalidade pedida pelo Papa Francisco. Neste contexto, a criação das unidades pastorais e a reorganização das vigararias foram apresentadas como expressão concreta de um caminho em que bispo, padres, religiosos e leigos são chamados a caminhar juntos, em corresponsabilidade e missão partilhada.

VÍDEO
https://youtu.be/F5RmR4yq0IA

Na abertura e conclusão da sessão, D. José Ornelas recordou que a sinodalidade não se reduz a uma simples mudança de estruturas, mas implica um novo modo de ser Igreja, em comunhão e participação efetiva de todo o povo de Deus. O bispo sublinhou que a constituição das unidades pastorais e das equipas presbiterais resulta de um longo processo de escuta e discernimento, envolvendo conselhos diocesanos, vigararias e paróquias, e que o objetivo é servir melhor a missão evangelizadora nas atuais condições sociais e pastorais

D. José insistiu também na dimensão espiritual deste caminho, convidando a que cada agente pastoral encontre diariamente tempo para a oração, escuta do Espírito Santo e oferta dos próprios dons ao serviço das comunidades. Ao agradecer o trabalho das equipas envolvidas na formação e na reorganização pastoral, encorajou os participantes a assumirem ativamente este processo de renovação, sem esperar resultados imediatos, mas mantendo a fidelidade ao Evangelho e à tradição viva da Igreja.

Fundamentos e estrutura das unidades pastorais

O padre Armindo Janeiro dedicou a sua intervenção a explicar o caminho que conduziu à atual reorganização pastoral da Diocese, os seus fundamentos teológicos e as principais opções adotadas. Recordou que, a partir de setembro de 2023, foi constituído um grupo de trabalho que elaborou uma carta de princípios sobre a conversão pastoral da Diocese e um documento operativo para a criação das unidades pastorais, documentos amplamente apresentados e discutidos nos vários conselhos diocesanos e nas comunidades paroquiais.

O orador detalhou que a Diocese passou a organizar 73 paróquias em 17 unidades pastorais e 7 vigararias, com equipas presbiterais de dois a quatro padres ao serviço conjunto das comunidades. Sublinhou que o elemento fundamental desta reorganização é o batismo, pelo qual todos os cristãos se tornam filhos de Deus e irmãos em Cristo, antes de qualquer distinção de ministérios ou funções, e são enviados em missão ao serviço do Evangelho.

Estruturas e órgãos de participação

O padre Armindo apresentou ainda os principais órgãos estruturantes de cada unidade pastoral: a equipa presbiteral, a equipa de coordenação pastoral, a comissão para os assuntos económicos e a figura do secretário da unidade. Explicou que, em vários casos, os padres exercem o ministério como párocos em regime “in solidum”, partilhando de forma corresponsável a pastoral de todas as paróquias da unidade, com a nomeação de um moderador para coordenar a equipa e articular os diversos serviços.

A equipa de coordenação pastoral, que integra padres, diáconos quando existam, religiosos e leigos eleitos ou escolhidos, tem a missão de sonhar, planear e programar a ação evangelizadora da unidade pastoral, promovendo uma verdadeira pastoral de conjunto. Já a comissão para os assuntos económicos reúne representantes de cada conselho económico paroquial, com a tarefa de estudar a viabilidade financeira dos projetos comuns e definir critérios de partilha de recursos, enquanto o secretário da unidade assegura apoio organizativo e administrativo às equipas e aos párocos.

Conversão de mentalidades e desafios sinodais

O padre Orlandino centrou a sua reflexão na necessidade de uma verdadeira conversão de mentalidades para que a reforma estrutural não se torne ineficaz. Advertiu para o risco de mudar mapas, vigararias e unidades pastorais sem alterar o modo concreto de viver a Igreja, mantendo um modelo excessivamente centrado no padre e na missa como única referência da vida comunitária.

Entre os principais desafios às comunidades, destacou a urgência de desenvolver atitudes sinodais numa Igreja ainda marcada por traços de clericalismo, promovendo a participação efetiva dos leigos na reflexão, decisão e execução pastoral. Salientou também a importância de introduzir práticas sinodais na formação de ministérios e serviços e de discernir que estruturas e hábitos, embora úteis no passado, podem hoje constituir obstáculos à missão e à transmissão da fé.

Participação litúrgica e criatividade pastoral

O orador exemplificou esta necessidade de mudança com a liturgia, onde, apesar das reformas do Concílio Vaticano II, muitos batizados continuam a assistir à missa como espectadores, enquanto o presidente surge como quase único protagonista. Lembrou que participar na liturgia é mais do que estar presente, exigindo preparação e envolvimento ativo de todos, em linha com o princípio de que pelo batismo todos são corresponsáveis na construção da Igreja.

O padre Orlandino reconheceu que a resistência à mudança é natural e não significa má vontade, mas apelou a um esforço de desinstalação, criatividade e fidelidade, para evitar que as comunidades se fechem em “capelinhas” e se limitem a conservar o existente. Propôs como referência a leitura ou releitura da exortação Evangelii gaudium e do documento final do sínodo sobre a sinodalidade, documentos que o Papa apresentou como guias para renovar a vida e a missão das comunidades cristãs.

Um caminho comum na unidade pastoral

Na parte dedicada à experiência concreta das unidades pastorais, Rute Santos apresentou o percurso da unidade pastoral que integra as paróquias de Bajouca, Coimbrão, Monte Redondo e Souto da Carpalhosa. Explicou que foi constituída uma equipa coordenadora com dois a três elementos de cada paróquia e que, a partir daí, surgiu a proposta de um caminho comum de reflexão em torno de quatro temas fundamentais: “Crer para quê?”, “Ser paróquia”, “Desafios da catequese para a comunidade” e “A Eucaristia”.

A proposta prevê que estes temas sejam trabalhados por grupos já existentes – conselhos económicos, comissões de capelas, catequistas, grupos corais, escuteiros, entre outros – e por novos grupos a criar, como pais de crianças da catequese ou grupos de vizinhos. Rute sublinhou que o objetivo é gerar um trabalho de unidade pastoral que ajude cada pessoa e cada comunidade a tomar consciência de que pertence a um corpo mais amplo, que vai da capela à paróquia, da unidade pastoral à Diocese.

Sínteses, assembleias e decisões concretas

Depois do trabalho em pequenos grupos, está prevista a elaboração de sínteses em cada paróquia e, se se justificar, a realização de assembleias paroquiais para partilha e aprofundamento. Numa fase seguinte, terá lugar uma assembleia da unidade pastoral, onde serão apresentadas as sínteses e discutidas propostas concretas para o futuro, com o propósito de chegar a decisões práticas para a organização da vida comunitária e da missão.

Segundo Rute Santos, este processo pretende dar voz a todos na construção das comunidades, permitindo que as decisões pastorais resultem de um discernimento alargado, em que diferentes sensibilidades e experiências se cruzam. A experiência foi apresentada como um exemplo de como a sinodalidade pode ser vivida de forma simples e progressiva, a partir da realidade concreta de cada comunidade.

Próximos passos e encontros com o bispo

Na parte final da sessão, Luís Miguel Ferraz apresentou os passos seguintes do processo diocesano, em particular a preparação dos encontros do bispo com cada unidade pastoral. Sublinhou que a formação online constituiu um primeiro momento de clarificação de conceitos e de tomada de consciência das implicações da sinodalidade na vida das paróquias e unidades pastorais.

O segundo passo passa agora pela criação de grupos de reflexão em todas as unidades pastorais, chamados a responder a três questões de fundo: como veem e sonham a sua unidade pastoral; que passos concretos podem ser dados já neste primeiro ano; e que nome faz mais sentido para identificar cada unidade pastoral. Cada grupo poderá ser paroquial ou interparoquial, e os contributos serão reunidos numa síntese por unidade pastoral, a enviar ao bispo para preparação personalizada de cada visita.

Esquema dos encontros e calendário

Luís Miguel descreveu ainda o esquema-base dos encontros: reunião do bispo com a equipa presbiteral, celebração com representantes das paróquias, momento de convívio e, por fim, sessão de partilha das reflexões dos grupos, seguida de intervenção do bispo e diálogo. Após cada encontro, estão previstas reuniões do bispo com as equipas presbiterais de cada vigararia, com vista à definição de iniciativas concretas decorrentes do trabalho realizado.

A calendarização destes encontros já se encontra em grande parte definida, com datas distribuídas entre janeiro e março para a maioria das unidades pastorais, ficando apenas algumas por confirmar. De acordo com a organização, este itinerário pretende garantir que todas as unidades pastorais tenham um momento próprio de escuta, avaliação e relançamento da missão, em continuidade com o caminho sinodal que a Diocese vem realizando nos últimos anos.

Um caminho sinodal em construção

Na conclusão da sessão, ficou clara a ideia de que a reorganização pastoral da diocese de Leiria-Fátima é apenas um ponto de partida para um processo mais amplo de conversão pastoral e sinodalidade. A formação online evidenciou a articulação entre propostas estruturais – como as unidades pastorais e as equipas presbiterais – e a necessária renovação espiritual e participativa das comunidades, envolvendo todos os batizados na corresponsabilidade pela vida da Igreja.

O percurso agora aberto, com grupos de reflexão, assembleias locais e encontros com o bispo, foi apresentado como oportunidade para consolidar um estilo de Igreja “em saída”, atenta aos desafios do tempo presente e comprometida em anunciar a alegria do Evangelho nas cidades, vilas e aldeias da Diocese.

Agendamento das visitas a cada UP

23/01, sexta-feira, 17h00 UP 14 (Polge)
29/01, quinta-feira, 18h30, UP 13 (Fátima)
30/01, sexta-feira, 17h00, UP 16 (Aljubarrota)
04/02, quarta-feira, 17h00, UP 15 (Porto de Mós)
06/02, sexta-feira, 17h00, UP 17 (Batalha)
10/02, terça-feira, 17h00, UP 5 (Monte Redondo)
11/02, quarta-feira, 17h00, UP 4 (Monte Real)
12/02, quinta-feira, 17h00, UP 6 (Milagres)
13/02, sexta-feira, 17h00, UP 1 (Pousos)
10/03, terça-feira, 17h00, UP 9 (Caranguejeira)
11/03, quarta-feira, 17h00, UP 8 (Albergaria dos Doze)
12/03, quinta-feira, 17h00, UP 7 (Colmeias)
28/03, sábado, 09h30, UP 3 (Marinha Grande)

A UP 2 (Marrazes) já fez o encontro
Falta agendar as UP 10 (Caxarias) e 11 (Freixianda)
A UP 12 (Ourém) tem encontro já nesta quarta-feira, 3, às 21h00, com modelo próprio

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