
«Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração.» (Mt 18, 35)
«Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido».
Tantas vezes rezamos o Pai Nosso “decorado”, e não “de coração”, e, por isso mesmo, dizemos esta frase da oração, com uma indiferença total ao que, afinal, pedimos ao Pai.
Sim, é verdade que já nos foi dito isto mesmo muitas vezes, e nós próprios, de quando em vez, nos lembramos também desta realidade.
Mas tenho para mim que, talvez mais do que tomar atenção ao que rezamos, é importante fazer, praticar o que rezamos, o que pedimos.
Mas já passou tanto tempo e eu nem sei onde está agora quem me ofendeu, mas infelizmente continua presente em mim essa ofensa, como posso eu perdoar-lhe?
Podemos sempre perdoar no nosso coração.
Perdoar é algo que tem de sair da nossa vontade, mesmo que ao princípio nos pareça não estarmos a ser muito sinceros naquilo que queremos fazer, ou seja, perdoar.
Mas se deixarmos esse desejo da nossa vontade ir tomando conta de nós, e, sobretudo, se pedirmos a Deus que nos dê o necessário para isso, mais tarde ou mais cedo o perdão vai tomar conta de nós, e ficaremos em paz perante a ofensa e o ofensor.
Fui aprendendo no meu caminho para Deus e com Deus que rezar por quem nos ofendeu torna muito mais fácil o perdão, porque o Espírito Santo nos vai moldando e fazendo perceber que aquele que nos ofendeu não é, afinal, muito diferente de nós próprios, ou seja, também nós temos fraquezas e também nós ofendemos umas vezes deliberadamente, outras sem disso tomarmos verdadeiramente consciência.
Porque a verdade é que quando pensamos ou falamos em perdoar, temos que ter ser presente o pedir perdão, isto é, aqueles que nós também ofendemos.
A frase do Pai Nosso que rezamos começa, afinal, por pedir perdão ao Pai, pelo que também, sem dúvida, temos que pedir perdão a quem ofendemos, para que o perdão habite em nós e assim também possamos perdoar a quem nos ofendeu.
«Portanto, o que quiserdes que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque isto é a Lei e os Profetas.» (Mt 7,12)
Afinal a melhor medida para percebermos o perdão é, com certeza, o reconhecermos as nossas fraquezas e assim termos a consciência de que todos nós, em algum momento das nossas vidas, ofendemos e fomos ofendidos.
Podemos analisar e reanalisar pela psicologia e não só, todo o processo de perdoar e pedir perdão, mas, quanto a mim, a melhor forma de perdoar e pedir perdão é rezar, ter vontade de perdoar e pedir perdão, entregarmo-nos confiadamente ao Espírito Santo e, confiar com toda a esperança que no momento certo o nosso coração se vai encher de perdão.
E, então, a paz acontece, e o amor que nos toca é o amor de Deus, que se faz amor em nós para podermos amar os outros como Ele quer que nós façamos sempre.