Celebrámos no dia 8 de dezembro a festa da Imaculada Conceição, padroeira de Portugal e, na nossa Diocese, também padroeira do Seminário Diocesano. Além dos encontros vocacionais, com várias atividades, onde se procurou descobrir a identidade do sacerdote, este dia ofereceu-nos também uma bela ocasião para expressar sentimentos de profunda gratidão e ação de graças por tudo o que esta instituição foi e continua a ser na vida da nossa Diocese, bem como pelas pessoas que a serviram e servem com o seu saber e testemunho de vida!
Resposta historicamente situada e organizada para acolher os que procuram discernir o convite do Senhor – que escolhe quem quer (Mc 3,13) para andarem com Ele e d’Ele aprenderem a ser discípulos para os enviar em missão – os seminários são comunidades que vivem em permanente busca da melhor maneira de formar discípulos missionários para o serviço do Evangelho e das Comunidades. Muitos são os rostos – com maior ou menor visibilidade, mais próximos das famílias ou das comunidades paroquiais, emergindo dos dinamismos locais ou dos serviços pastorais diocesanos – que ajudaram e ajudam a criar condições para que os chamados cheguem a escutar a voz do Senhor e Lhe possam responder com alegria!
O testemunho das irmãs
Neste contexto, gostaria de valorizar a importância, certamente no passado, mas sobretudo no presente, de testemunhas autênticas de fé, que sejam verdadeiramente inspiradoras. E à memória vem-me a comunidade das Irmãs Servas de Nossa Senhora do Rosário de Fátima que acompanharam muitas gerações de seminaristas. A mim também! Recordo-as com gratidão!
Ainda recentemente nos chegaram ecos da irmã Beatriz Marques (1925-2025), natural de Aljubarrota e falecida nos inícios de novembro que, entre muitas outras, deixou entre nós um rasto de alegria na doação. Esta irmã, quer antes (em Turquel) quer depois (em Moçambique, desde finais de 72 e durante 46 anos), por onde passou soube sempre inserir-se na realidade local e fazer dos seus limites e possibilidades, oportunidades para anunciar o Reino de Deus!
Como enfermeira, cuidou das feridas de muitos, mas desejando o bem maior para todos, gastou todas as suas forças procurando tornar Jesus presente no coração de cada pessoa. Em Turquel, desenvolveu amplo apostolado junto de “jovens, famílias e empresários”; no Seminário de Leiria, onde foi superiora da sua Comunidade, acompanhou seminaristas, empregadas do Seminário e dos párocos, e foi colaboradora dos sacerdotes formadores; em Moçambique, onde viveu grande parte da sua vida missionária, pela sua proximidade em tempos de guerra e de grandes dificuldades, foi reconhecida como “mãe, irmã e mestra”, entrando assim na “lista dos seus antepassados”.
Tal como no passado, também hoje são os exemplos de vida que cativam e fazem despertar nos corações dos mais novos os mais belos sonhos de Deus, bem como o desejo de lhes responder com a própria vida! Que o Senhor nos dê as vocações de que temos maior necessidade. Que as novas gerações possam encontrar nas nossas comunidades os exemplos de vida que tanto precisam!