A Semana Nacional Cáritas decorre de 1 a 8 de março e propõe uma reflexão alargada sobre a pobreza e a exclusão social em Portugal, num contexto marcado por dificuldades económicas persistentes e pelo impacto recente de tempestades que atingiram o território nacional.
A iniciativa, promovida pela Cáritas Portuguesa, recorda que a sua missão ultrapassa as respostas de emergência, reforçando a necessidade de uma ação estruturada e continuada junto das pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
O ponto alto da semana é o Peditório Nacional Público, que mobiliza voluntários em várias localidades do país e disponibiliza também a possibilidade de contributos em formato online. A campanha apela à solidariedade dos portugueses para reforçar a capacidade de resposta da rede Cáritas.
Da agenda faz ainda parte a apresentação da terceira edição do relatório anual «Pobreza e Exclusão Social», no dia 4 de março, pelas 10h00, no espaço Atmosfera M, em Lisboa. O documento baseia-se na análise de estatísticas oficiais e, embora identifique evoluções favoráveis em alguns indicadores, alerta para sinais preocupantes. “Em algumas dimensões de exclusão mais profunda, assistimos mesmo a um retrocesso nos últimos anos, por exemplo no número de pessoas em situação de sem-abrigo, que mais do que duplicou entre 2019 e 2024”, refere o relatório.
A Semana Nacional Cáritas antecede o Dia Nacional Cáritas, celebrado no terceiro domingo da Quaresma. Sob o mote «O Amor que Transforma», a iniciativa pretende dar visibilidade ao trabalho desenvolvido no combate à pobreza e à exclusão social. Ao longo destes dias, realizam-se ações de sensibilização, momentos de reflexão sobre a ação social e iniciativas de animação pastoral, envolvendo Cáritas diocesanas, grupos paroquiais, voluntários e comunidades locais.
“O compromisso solidário de todos permite-nos manter uma ação continuada junto das pessoas e famílias em maior vulnerabilidade”, afirma Rita Valadas, presidente da Cáritas Portuguesa.
Atualmente, são acompanhadas mensalmente mais de 25 mil pessoas através da rede nacional de Cáritas diocesanas e grupos paroquiais. O apoio concretiza-se em respostas sociais diversas, projetos de inserção social e empregabilidade, bem como na integração de migrantes e refugiados.
Num cenário marcado pelo aumento do custo de vida, pelo desemprego, pelos baixos rendimentos e pelo peso das despesas com habitação e saúde, a instituição sublinha a importância de um renovado impulso político e social que permita quebrar ciclos de exclusão e promover maior coesão social.



