Samaritanos levam Natal à prisão

Éramos apenas dez, o novo padre já lá estava, estávamos todos bem dispostos e tínhamos agendado a visita aos mais de 200 jovens (reclusos) visitar.

Há “mundos” com histórias azuis, histórias vermelhas e outros “mundos” amarelos e com muitas outras cores. Umas são historias felizes(verde), com principio, meio e fim e outras com atropelos (cor preto). Muitas são as histórias deste mundo e de outros “mundos”, nem sempre cor-de-rosa, mas sim de vidas com cores semelhantes.

São vidas de “mundos” desconcertantes, ora sem eira nem beira, ora sem regra e sem perspetiva. Frutos de vidas fáceis e difíceis, sem disciplina, sem noção, muitas vezes só há uma solução com instrução ou correção.

Estabelecimento Prisional De Leiria © Google Maps

E, porque nem todas as histórias são iguais, porque não necessariamente tem de ser cinzentas ou cor de rosa, simplesmente são vidas (in)perfeitas. Apenas são histórias de vidas e “mundos”, que nascem de várias cores, apenas num mundo (in)explicado.

Porque hoje já nada… é (des)colorido ou (in)justificado, mas sim e muito (in)compreendido. Vejamos, como por vezes, são as cores da vida de outros ”mundos” que, nos fazem sentir e pensar.

Escolhemos o azul e sem querer acertamos, levámos na mão a Sagrada Família, doce esperança e compreensão, tão somente a nossa vontade e prontidão.

Deixemos -nos refletir nas escolhas e atitudes de alguma juventude e adolescência que muitas vezes nos levam a (re)pensar.

A visita propriamente dita

Pouco faltava para a hora marcada, o dia apresentava-se soleiro. Íamos a meio da tarde e o combinado era no final do dia começar.

Éramos apenas dez, o novo padre já lá estava, estávamos todos bem dispostos e tínhamos agendado a visita aos mais de 200 jovens (reclusos) visitar.

O sol era tépido, apenas amornava as árvores, todo o ambiente estava afável, o vento soprava ligeiro, mas o frio parecia querer apertar. Havia no ar a alegria do Natal, a esperança num prenúncio de surpresa, fazer a Boa Nova chegar. Estávamos todos sorridentes, bem-dispostos, e aos poucos fomos criando o grupo dos corajosos juntar.

No caminho, os nossos passos ansiosos, logo se foram (des)concertando e desprendendo.

As pressas eram agora mais serenas, pois ainda tínhamos que esperar.

Havia um compasso descompensado, que não se explica, mas tranquilizava.

Eram quadrículas, gaiolas, eram e são espaços geometrizados. São apenas janelas compartimentadas.

E ali parecia que o tempo parava, e havia o silêncio, apenas era quebrado quando de algures soltam-se os gritos e os chamados nos faziam arrepiar.

Lá do alto da cidade, a distância entre os pavilhões não é grande, chamam-lhes “Confiança”, “OBS” A e B, “Simples” A e B, até parece que são outros planetas, ou cosmos de que estamos a falar.

Dividimo-nos por cinco grupos de dois e logo fomos alertados, para a regras cumprir, pois estaríamos sujeitos e perigos podiam surgir.

Aos poucos, juntamente com as refeições, as portas dos pavilhões abriam, e íamos entrando na medida que a segurança era possível. Porque os guardas eram e são poucos, estavam de greve e nem em todos os jovens eles podem confiar.

Lá dentro, nas alas em sequência as portas das celas começaram a abrir, a relinchar, uma a uma a ressoar, aqueles barulhos a entoar, é mesmo de não lembrar.

Os rostos, a espreitar, esses um a um iam surgindo, entre sorrisos abertos, tímidos ou espantados, os alheados queriam-nos sensibilizar. Uns a medo, outros a refilar, todos desprovidos de medos ou reservas para nos impressionar.

Mas nós apenas fomos visitar, estender a mão e cumprimentar.

Num olhar rápido e fugaz percebeu-se a mágoa e a revolta que alguns nos queriam afirmar.

As lembranças que levávamos debaixo dos braços eram apenas da família para simbolizar, um carinho, um doce, mas principalmente levar com grande significado, a mensagem de que o melhor está para vir e vem para ficar.

A esperança num futuro melhor, a confiança de que tudo vai ficar bem, pois tudo o que desejamos é que tenham saúde, paz e confiança num Deus maior, no universo, em Cristo, nosso mestre ACREDITAR. Confiança num recomeço, num perdão, num novo sentido à vida. E nunca os bons conselhos devemos ignorar.

De regresso a casa, já pela noite, de volta aos nossos lares, nunca foi tão bom relembrar que somos felizes, e com muito ou pouco valor a dar, o melhor é muita compaixão a todos desejar.

Porque por dentro estávamos todos a tilintar, o nosso coração a bater, mas nunca a desmoronar, pois é grande a nossa missão de encorajar.

Afinal era Natal, era dia de alegrar.

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