Reinaldo, Belchior e Lavrador. Conto do Natal

Tinham ouvido falar do Natal na escola; e conversaram sobre isso cá fora. O menino rei do Natal nascido ali perto! Não tinham entendido bem, mas seria perto. Três grupos das crianças desafiaram-se a visitá-lo antes dos outros.

Tinham ouvido falar do Natal na escola; e conversaram sobre isso cá fora. O menino rei do Natal nascido ali perto! Não tinham entendido bem, mas seria perto. Três grupos das crianças desafiaram-se a visitá-lo antes dos outros.

O grupo do Reinaldo apostou que o encontraria na colina, a quilómetros dali, onde havia um castelo, palácio e várias casas grandes de ricos. Alguns chamavam-se Dons como os reis por serem da família do rei. Foi um dia para lá chegar. Iam cansados. Encontraram gente de carros e cavalos e logo começaram a fazer perguntas às pessoas. Sabem onde é a casa do menino rei? Uns respondiam que não tinham ouvido nada, não sabiam; outros, que só se fosse num palácio lá em cima. Já desanimados, ainda subiram ao palácio. Mas nada. Ninguém sabia.

O grupo do Belchior pensou que o iam encontrar do outro lado numa baixa com muitas casas, à beira do rio. Havia lojas, mercado no meio da vila, tabernas, pensões para passar a noite, casas para cambiar dinheiro e outras de penhores e empréstimos. Tudo casas de comerciantes; mais distantes, barracas de servos e escravos. Havia muito gente. Pediram indicações da casa do rei nascido. Ninguém sabia nada. Rei? Aqui não há reis. Só gente a comprar e vender, com dinheiro, ricas. Não gostam de reis para não pagar impostos. Tristes, as crianças lá foram perguntando a outros, servos e mendigos que vagueavam pelas ruas. Nada. Acabaram por ir embora sem saber nada.

O grupo do Lavrador de outras cinco crianças, de oito-dez anos, procuraram o natal e o menino nuns campos distantes de trigo, milho, vinhas, animais e rebanhos na encosta. Viram que era gente pobre, que trabalhava para comer. Pensaram que estes pobres não seriam família do rei menino. Ainda perguntaram em casas e casebres se tinha nascido um menino, um rei. Aqui, não. Só há pobres. Talvez nos palácios do monte ou na vila dos ricos. Sem desistir, as crianças vão por caminhos de terra e pedem a pessoas que vêm dos campos se sabem de um menino que tinha nascido, um rei. Os camponeses ficam pasmados. Sim, seria bom ter um rei! Outros ficaram com medo. Um rei havia de querer metade dos cereais que eles cultivam; ia obrigar os seus rapazes a lutar na guerra; tomava as suas filhas como servas e escravas no palácio.

Passa um casal, a mulher com um cântaro de água; ele com enxada. Pararam para responder às perguntas das crianças. Sim, esse menino tinha nascido em casa da filha e se quisessem podiam ir vê-lo; o pai estava na oficina. Alegres as crianças foram. A mãe deu o menino a beijar. Não tinham mais nada, deram-lhe um caderno de gravuras e prometeram voltar. Só eles puderam contar aos outros a alegria de encontrar o rei do Natal entre os pobres. Alguns adultos fizeram troça: outra vez com pobres! Sem zaragatear, as crianças repetiam com alegria: vimo-lo, que bom!


Publicado no II Volume da Coletânea de Contos de Natal, intitulada “Natal em Palavras”. CHIADO BOOKS.O lançamento da obra decorrerá no Hotel Pestana Palace, em Lisboa, no Sábado, 14 de Dezembro 2019.

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