Lisboa, 28 jun 2026 – A coordenadora da equipa de Coordenação Nacional das Comissões Diocesanas de Proteção de Menores defendeu a necessidade de tornar mais clara e fundamentada a comunicação das decisões relativas a denúncias de abuso sexual, considerando que a informação transmitida aos envolvidos deve ser mais detalhada e compreensível.
Numa entrevista conjunta à Renascença e à Agência Ecclesia, emitida este domingo, Carla Rodrigues sustentou que as decisões de arquivamento exigem explicações mais consistentes. “É necessário que a fundamentação que nos chega seja mais rica, seja mais compreensível”, afirmou, considerando insuficientes justificações limitadas a poucos parágrafos.
A responsável reconheceu que a demora nos processos e as expectativas frustradas podem levar os denunciantes a percecionar um “carrossel” institucional, situação que classificou como prejudicial para todos os envolvidos. Destacou, contudo, a autonomia das comissões diocesanas na tomada de decisões, no acolhimento das vítimas e na recomendação de participação às autoridades competentes, apesar da inexistência de autonomia financeira.
Carla Rodrigues defendeu ainda o reforço do papel das comissões diocesanas, valorizando o trabalho desenvolvido desde 2019 na uniformização de procedimentos. Referiu igualmente que se verifica atualmente uma redução significativa do número de novas denúncias, sem que isso diminua a necessidade de acompanhamento e prevenção.
A coordenadora nacional sublinhou que qualquer reorganização futura das estruturas de apoio às vítimas, incluindo a sucessão do Grupo VITA, deverá garantir que a vítima continue a ocupar um lugar central e preservar a qualidade da formação e do acompanhamento prestados. Defendeu, por fim, uma aposta crescente na prevenção, através da capacitação das comunidades para identificar e evitar situações de risco.