A presidente da Cáritas Ucrânia alertou, em Lisboa, para a presença de vítimas de tráfico humano entre os prisioneiros de guerra detidos na Rússia, sublinhando que muitas das pessoas recentemente libertadas foram alvo de exploração e tortura.
“Muitas das pessoas que estão a ser devolvidas da detenção na Rússia também foram usadas no tráfico humano. Portanto, há um aumento no número dos casos que estamos a receber, relacionado com a guerra”, afirmou Tetiana Stawnychy, em entrevista à Agência ECCLESIA e ao jornal 7MARGENS.
A responsável revelou que, na mais recente troca de prisioneiros entre a Ucrânia e a Rússia, concluída a 25 de maio, estavam incluídos 120 civis, muitos deles com sinais de “tortura física e mental”.
Tetiana Stawnychy denunciou ainda o impacto prolongado da guerra sobre a população, em particular nas zonas mais próximas da linha da frente. “Há uma espécie de política de terra queimada. Eles realmente destroem muito à medida que avançam”, referiu, apontando a necessidade de estabilizar as populações deslocadas antes de as integrar noutras comunidades.
Sobre o futuro, destacou a importância de um cessar-fogo imediato e declarou que uma eventual visita do Papa Leão XIV à Ucrânia seria “um grande sinal de solidariedade e de esperança”, evocando a memória da visita de João Paulo II, em 2001.
A Cáritas Ucrânia, com uma rede de cerca de 2500 funcionários e outros tantos voluntários, atua atualmente em mais de 300 paróquias, apoiando populações deslocadas, vítimas de violência e comunidades escolares. “Temos uma missão a cumprir. Temos pessoas para ajudar”, afirmou.
Num cenário de crise prolongada, a presidente da Cáritas alertou para o decréscimo no financiamento internacional e pediu soluções “inovadoras e duradouras”.
Tetiana Stawnychy terminou a entrevista agradecendo a solidariedade da Cáritas Portuguesa e do povo português: “Essa solidariedade é realmente valiosa para nós.”



