Iaundé, 15 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa iniciou neste dia a sua visita aos Camarões com um apelo ao fim da violência nas regiões em conflito e uma forte denúncia da corrupção, que considerou desfiguradora da autoridade pública.
No primeiro discurso no país, perante responsáveis políticos, sociedade civil e corpo diplomático, Leão XIV lamentou o sofrimento provocado pelos confrontos no noroeste, sudoeste e extremo norte. “Há vidas perdidas, famílias deslocadas e jovens sem futuro. Por trás das estatísticas, existem histórias e esperanças feridas”, afirmou.
O encontro decorreu no Palácio Presidencial, após uma reunião privada com o chefe de Estado, Paul Biya. O Papa rejeitou soluções baseadas na força e defendeu uma paz assente na justiça e no respeito mútuo, lembrando a responsabilidade ética dos governantes.
Leão XIV sublinhou que a corrupção compromete a legitimidade das instituições e apelou à transparência na gestão pública, pedindo um “exame de consciência” às lideranças. Destacou ainda o papel da sociedade civil e das mulheres, frequentemente vítimas de violência, mas também agentes de reconciliação.
O pontífice alertou para a emigração jovem e para fenómenos de exclusão social, apontando a necessidade de criar oportunidades que travem problemas como a droga e a prostituição.
Num país marcado pela diversidade cultural e linguística, o Papa afirmou que essa realidade deve ser vista como uma riqueza e um fundamento para a construção de uma paz duradoura.