O Papa Leão XIV desafiou os católicos a viverem o Natal com sobriedade, evitando o consumismo e abrindo as portas das suas casas a pessoas pobres ou sós, em particular na noite da Consoada. O apelo surge na resposta a uma carta de um leitor publicada na edição de dezembro da revista Praça de São Pedro, na qual o pontífice alerta para os riscos das compras compulsivas e convida a gestos concretos de esperança.
Na mensagem, Leão XIV questiona que melhor presente poderá existir do que acolher, durante as festas natalícias, as várias formas de pobreza, incluindo a pobreza existencial e educativa, sublinhando a importância de convidar para a mesa de Natal uma família carenciada ou alguém que viva em solidão. O Papa insiste que o Natal deve ser ocasião para oferecer exemplos de bondade, liberdade e esperança, privilegiando benefícios espirituais que contrariem a lógica do consumo excessivo.
O pontífice mostra-se crítico de um modelo económico que transforma o Natal num tempo de satisfação de desejos individuais, afastando-o da verdade e da beleza que brotam do nascimento de Jesus, marcado pela pequenez, humildade e solidariedade. Dirigindo-se a um psicólogo italiano que partilhou as inquietações das gerações mais jovens, Leão XIV recorda que errar e fracassar fazem parte do caminho humano e cristão.
Na linha do seu magistério inicial, o Papa reafirma a necessidade de ouvir o clamor dos pobres e da terra, denunciando uma economia que nega a dignidade humana. Olhando para o seu primeiro Natal como sucessor de Pedro, convida todos, especialmente os jovens, a trabalharem pela paz, fraternidade e amizade, através do diálogo e do testemunho simples e coerente da fé cristã.