Papa apela a cessar-fogo na Ucrânia e solução de dois estados na Terra Santa

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Cidade do Vaticano, 09 jan 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV apelou à comunidade internacional para agir de forma imediata e eficaz na Ucrânia e no Médio Oriente, defendendo soluções de paz que protejam civis e rejeitando a resolução de conflitos apenas pela força militar.

No seu discurso de Ano Novo ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé, o Pontífice pediu um “cessar-fogo imediato” na Ucrânia, destacando o sofrimento infligido à população civil e a necessidade de diálogo sincero que conduza à paz. Alertou ainda para o aumento da violência na Cisjordânia e reafirmou a rejeição de qualquer forma de antissemitismo.

Relativamente à Faixa de Gaza, Leão XIV assinalou que, apesar da trégua de outubro, a população civil continua a enfrentar uma grave crise humanitária. Sublinhou que a solução de dois Estados continua a ser a única perspectiva institucional capaz de responder às legítimas aspirações de palestinianos e israelitas, promovendo justiça e segurança para ambos os povos.

O Papa recordou que “o orgulho ofusca a própria realidade e a empatia para com o próximo”, e reforçou que a Santa Sé se mantém totalmente disponível para apoiar iniciativas que promovam concórdia e reconciliação. Mais de 180 Estados, incluindo Portugal, mantêm relações diplomáticas plenas com a Santa Sé, juntamente com a União Europeia e a Ordem Soberana e Militar de Malta.

O apelo de Leão XIV reflete a posição da Igreja em defender a dignidade humana e a paz, reafirmando o seu papel ativo na diplomacia internacional e no acompanhamento das populações afetadas por conflitos.

Crítica à diplomacia da força e apelo ao respeito pela vontade dos venezuelanos

O Papa Leão XIV alertou também para a fragilidade do sistema multilateral e criticou a crescente substituição do diálogo por uma “diplomacia da força”.

No tradicional discurso de apresentação de votos de Ano Novo ao Corpo Diplomático, o Pontífice denunciou que a diplomacia baseada na força está a ganhar terreno sobre o diálogo e o consenso, ameaçando o direito internacional humanitário e a paz duradoura. Recordou que a proibição do uso de força para violar fronteiras, consagrada após a Segunda Guerra Mundial, tem sido progressivamente erodida, com consequências graves para a estabilidade internacional.

Leão XIV apelou à comunidade internacional para que se empenhe na construção de sociedades baseadas na justiça, na verdade, na liberdade e na fraternidade, especialmente na Venezuela, onde a situação política e social continua tensa na sequência de recentes acontecimentos. Sublinhou que é essencial “respeitar a vontade do povo venezuelano” e proteger os direitos civis e humanos de todos os seus cidadãos, promovendo um futuro de estabilidade e concórdia no país.

O Papa lamentou ainda que o multilateralismo e as Nações Unidas, no seu 80.º aniversário, enfrentem desafios significativos na prossecução de soluções pacíficas para conflitos, defendendo que o respeito pelo direito internacional Humanitário e a cooperação entre povos devem prevalecer sobre interesses partidários ou militares.

O discurso do Santo Padre enfatizou a importância de uma diplomacia que privilegie o diálogo, a razão e o bem comum, rejeitando a imposição pela força, e destacou a necessidade de fortalecer a busca de paz através de processos internacionais legítimos e respeitadores da dignidade humana.

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