O Menino de Madrid e o lixo do planeta

Diziam poluição, mas parece que era lixo. Por isso o rapazito quis ver o que naquela terra faziam ao lixo. Seria para aprender isso que aquela figura branca o tinha posto oitenta anos para atrás?

Andou por ali uns 15 dias a ouvir centenas de sabedores de quase tudo. Tanta coisa para emendar sob pena de se acabar o planeta, diziam. Grandes da ciência a dizer que a terra estava em risco de fechar para obras e ser reparada. Mas poucos estavam dispostos a reparar. O menino, já grandinho, tinha a cabeça à roda de ouvir tantas coisas. Nem sabia por que estava ali. Cansado, adormeceu no salão grande e sonhou muito. Viu à sua frente uma figura branca sem distinguir o que era, se rapaz ou menina, se anjo ou a Greta. Um pouco receoso pensa o que a figura quereria dele. Ouviu: vai para a tua terra para aprenderes a reparar. Como? Perguntou? Lá verás. Vai. Ao chegar a uma aldeia grande entre vales e montes pareceu-lhe que o tempo era o de há oitenta-cem anos atrás. As pessoas andavam ocupadas em coisas estranhas. Cavavam terra, semeavam, tinham arcas de milho, trigo, colhiam batatas, couves e fruta; coziam pão e cozinhavam ao lume de cavacas e comiam carne de porco, ovos, coelhos e galinhas, tudo do que criavam com coisas dos campos. Mais além, alguns cortavam mato e punham nos currais para estrume do ano seguinte. Homens carpintejam e mulheres fiam e tecem. Se faltava alguma coisa, vendiam do que tinham, na feira da terra, e com o pouco dinheiro compravam ali e na loja da aldeia. Começa a ver que aquela gente tem poucos estudos e mal sabe ler, mas desenrascava-se e ainda tinham tempo par se distrair nas festas da vila mais próxima, nas dos santos e arraiais da sua terra e das terras vizinhas. O Menino começa a ver que não havia por ali as coisas que em Madrid diziam que era preciso reparar: muito engenhosas, maravilhas de brinquedos que estragavam e sujavam o mundo: rios, terras, árvores, o ar, o calor, o frio, as chuvas, as secas dos campos e as culturas de coisas de comer. Diziam poluição, mas parece que era lixo. Por isso o rapazito quis ver o que naquela terra faziam ao lixo. Seria para aprender isso que aquela figura branca o tinha posto oitenta anos para atrás? Também se lembrou que os sábios de Madrid diziam que o planeta e o clima está stragado com lixos de plástico, muita coisa velha e gases queimados com o nome esquisito de “CO2”. Alguns gritavam que gente rica fazia lixo para juntar dinheiro e o esconder dos outros. O rapazito não percebia bem se o dinheiro escondido também era lixo. Ou se com o lixo esses manhosos estragavam o planeta para juntar mais dinheiro. Até tinha ouvido falar de vender lixo e de lavar dinheiro sujo. Dinheiro sujo! E cismava se para reparar o planeta tinha de lavar dinheiro sujo e se o devia esconder por ainda ficar sujo. Parecia que tinha ouvido que esse dinheiro sujo era o lixo que mais sujava a terra toda até ao fundo do mar e ao alto dos céus. Mas pensou: então onde estão o lixo e os caixotes de lixo nesta aldeia? Mandou um pensamento ao anjo, ou lá a figura que era, que lhe dissesse. E logo ouviu a resposta. Aqui não há lixo nem caixotes de lixo porque não há daquelas fábricas de engenhocas e brinquedos de que lá ouviste falar. Tudo aqui é reaproveitado, ou reciclado como eles diziam. Vai dar uma volta e verás que esta gente não faz desse lixo sujo e aproveita bem todo o seu lixo limpo; nada deita fora. Foi dar uma volta, mas em vez de aprender a fazer reparações no planeta, estava a ficar mais confuso. Seria isso: menos saber, menos lixo sujo a encher a terra; mais saber mais sujidade? Não podia ser: é bom saber mais. Do monte ouviu uma voz: alguns usam muitos conhecimentos para fazer lixo e o venderem para terem mais dinheiro sujo, que torna mais podre a vida das pessoas. Como reparar, então, esta terra do dinheiro sujo? E a voz respondeu: só lavando as pessoas por dentro; lê o manual das reparações; já sabes ler. Ah! O manual do outro Menino! Abriu e leu a página de Mateus 6,24: Ninguém pode servir a Deus e ao dinheiro. E nisto pareceu-lhe acordar. Na Igreja, em tempo de Natal, soava: é muito difícil um rico entrar no Reino de Deus (Mt.19 24)! Alguns preferem servir o reino de Mamom; comprar e vender pessoas para juntar mais dinheiro sujo. Como reparar esses servos de Mamom se não querem ouvir nem a Menina de Nazaré nem o Menino de Belém? Só Ele os podia limpar e dar um Natal Limpo e Bonito para todos!

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