O grande admirador

A história parece banal, mas é comum! Somos bastantes as Camilas que não percebem quanto são admiradas pelos seus pais, avós, cônjuges, irmãos, professores... Mas sobretudo por Deus.

As violetas chegaram com “O” bilhete. Camila já sabia o que dizia: “Seu admirador.” Quem seria este admirador que nunca esquecia o dia do seu aniversário? Comentava o assunto com o marido que parecia pouco incomodado:

– Acho que o homem tem razão. E eu tenho sorte.

Zenão dava-lhe um beijo e ficavam-se os dois a rir, usufruindo as alegrias de um dia de festa. Nunca o mistério foi desvendado. Os filhos e irmãos negavam ser os autores daquelas duas palavras, mas riam-se, garantindo ser também seus admiradores.

Porém, houve um aniversário em que as violetas não chegaram. Estaria doente o desconhecido? Esquecera-se dela? Teria morrido? Camila estremeceu com esta pergunta. Quem tinha morrido fora Zenão. Era ele, tinha sido ele o seu grande e único admirador. Quem, senão Zenão, conhecia o seu gosto por violetas? Quem, senão Zenão, era tão seu amigo? Quem, senão Zenão… o seu marido delicado, discreto, carinhoso? 

Camila ficou cabisbaixa. Como era possível que não se tivesse apercebido da identidade daquele fiel admirador que estivera sempre ao seu lado durante 52 anos?

A história parece banal, mas é comum! Somos bastantes as Camilas que não percebem quanto são admiradas pelos seus pais, avós, cônjuges, irmãos, professores… Mas sobretudo por Deus. É Ele o nosso grande admirador. É natural que isso aconteça, pois nos criou à sua “imagem e semelhança”, preparando o mundo para nos receber com terra, mar e firmamento, e suas plantas e animais, algas e peixes, insetos e aves. Preparou-nos alimentos saudáveis, água para beber e ar para respirar. Parece um Pai que preparou o berço, o quarto e as roupas para o seu filho.

No entanto, este Pai não se fica por aí. Ama-nos tanto que tudo faz para nos tornar felizes de um modo muito discreto, como o perfume das violetas que Zenão oferecia a Camila. Criou-nos livres. Deu-nos a capacidade de usar os nossos talentos (inteligência, vontade, força, criatividade…) como quiséssemos. Protegeu-nos amorosamente dando-nos os conselhos necessários às nossas ignorâncias e inexperiências de modo que as pudéssemos superar. Pôs-se à disposição para responder às nossas perguntas e necessidades. Tanto nos amou que deu a sua vida por nós, admirado da nossa autossuficiência, mas confiando na nossa capacidade de ainda sermos capazes de admirar e amar.

É certo que não existe admirador humano capaz de amar como Deus. Ele é o único e supremo admirador. Mas algo podemos. A história dos homens revela-nos que existiram, existem e existirão pessoas capazes de admirar e amar. Elas surgem e erguem-se, discretas como as violetas, quando chega o sofrimento, a dor, a injustiça. Olhemos para a Virgem Maria, os santos, os heróis, as mães, os pais… Pessoas desconhecidas, normais, comuns que “só” fazem o que todos fazem, mas com cuidado, perfeição e carinho, apenas porque admiram e amam alguém. São estas as pessoas que trazem em si, e a oferecem ao mundo, uma chispa do grande Admirador.

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