O ato político-filosófico

448 visualizações

Por mais que eu queira, Tu me vences sempre em generosidade. Se Te ofendo, perdoas-me, se Te agrado, recompensas-me com abundância. Se vacilo, seguras-me com aquela delicadeza que inunda a alma de um conforto destemido, perante qualquer situação que se avizinha. Quem me dera ser capaz de, quando chegar ao Juízo Final, exclamar: aqui estou, Senhor, consegui executar a minha missão, sou um servo que não cumpriu mais do que devia.

Eis o que me compete fazer: basta em cada momento cumprir a Tua vontade, desapegado de tudo e de todos. Independentemente de qualquer dificuldade, Tu estás para além do tempo e do espaço, a Tua presença é um bálsamo de que a alma carece, na paulatina purificação em direção à eternidade.

Qual a ambição máxima a que o homem pode chegar, dentro da conformidade com os preceitos da lei divina, não só permissora como coadjuvante e até impulsionadora da maior epopeia da História?

Não há dúvida… O supremo ato homérico está na vivência da Política e da Filosofia como irmãs gémeas, uma imbricada na outra, por uma união nupcial vivencial. Política convoca ação, serviço à comunidade, discernimento na análise e resolução dos problemas sociais, os quais são aturadas vezes consequência da escassez dos recursos económicos. Também o Papa Francisco reconhecia na Política o serviço mais elevado.

Já a Filosofia permite o conhecimento racional da verdade, a luz sapiente que alguns políticos enxergam para, na práxis quotidiana, se aperfeiçoarem na atuação perante a vontade de Deus.

Sem esta base fundante do agir, mesmo se humanamente as intenções são as mais sensatas, não haverá mais do que um resultado parcialmente frutuoso. Será mero ativismo, mesmo a mais generosa filantropia, um construir, mas sobre a areia e não sobre a rocha. Como escreve o eminente São Paulo, é «a caridade o vínculo da perfeição», que dá alma a qualquer gesto, desde a oferta de um simples copo de água, até ao atirar o corpo para as chamas.

Portanto, se a vontade humana se funde, ou melhor, se aniquila perante os desígnios do Filho do Homem, numa tentativa denodada de Lhe ser fiel em todas as circunstâncias, então temos a santidade total. Não que São Francisco de Assis ou Teresinha do Menino Jesus deixem de ser gigantes inatingíveis no seu heroísmo santificante. É que, até ainda mais do que a pobreza evangélica e a oração fervorosa, mais do que a mais bela sinfonia musical ou trecho dramático de Shakespeare, a maior obra da humanidade está no caritativo ato político-filosófico ou filosófico-político.

Partilhar

Leia esta e outras notícias na...

Receba as notícias no seu email
em tempo real

Pode escolher quais as notícias que quer receber: destaques, da sua paróquia