O Santuário de Fátima apresentou, no dia 2 de julho, no Centro Pastoral de Paulo VI, a obra As Aparições de Fátima no jornal O Mensageiro (1917-1927). História e Teologia do seu impacto para a revitalização do catolicismo no contexto da I República e da I Guerra Mundial, da autoria de Luís Miguel Ferraz. A sessão integrou o programa da 11.ª edição dos Cursos de Verão do Santuário de Fátima.

Editado pelo Santuário de Fátima, o livro constitui o quinto volume da coleção Fátima: História, Cultura e Sociedade e resulta de uma investigação iniciada no âmbito académico e posteriormente aprofundada pelo autor enquanto membro da Academia de Estudos do Santuário de Fátima.
Na abertura da sessão, Marco Daniel Duarte, coordenador dos Cursos de Verão e diretor da Academia de Estudos do Santuário, destacou a relevância da publicação para o conhecimento dos primeiros anos do fenómeno de Fátima. Segundo afirmou, trata-se de “uma obra importantíssima para o conhecimento da primeira década de Fátima, que é uma década decisiva” para compreender o desenvolvimento posterior do santuário e da sua mensagem.
A apresentação da obra esteve a cargo de Paulo Fontes, investigador do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa e orientador da dissertação que deu origem ao livro. O historiador salientou o valor científico do estudo, classificando-o como “um texto de história”, construído a partir de uma análise crítica das fontes e centrado no contexto político, social e religioso vivido em Portugal entre 1917 e 1927.
Paulo Fontes sublinhou que a investigação permite compreender a emergência de Fátima num período marcado pela I República, pela I Guerra Mundial e pelas transformações das relações entre a Igreja e a sociedade portuguesa. Destacou ainda o papel desempenhado pelo jornal O Mensageiro e pelo padre Manuel Ferreira Lacerda na receção e divulgação inicial dos acontecimentos da Cova da Iria.
Na sua intervenção, Luís Miguel Ferraz explicou que a obra nasceu da vontade de regressar às fontes históricas e de compreender como os acontecimentos de Fátima foram interpretados pelos seus contemporâneos. “O que aconteceu realmente em Fátima?” foi a pergunta que, segundo o autor, orientou toda a investigação.
O investigador esclareceu que o objetivo do estudo não consistiu em demonstrar ou refutar a autenticidade das aparições, mas em analisá-las a partir da perspetiva da história. “O propósito era claramente outro, olhar para Fátima como historiador, procurando compreender o contexto em que tudo aconteceu, as reações que suscitou e a forma como aquelas notícias foram sendo recebidas, discutidas e transmitidas”, afirmou.
A obra utiliza como principal fonte o jornal O Mensageiro, cuja análise, segundo o autor, revelou uma realidade mais complexa do que poderia supor-se, marcada por prudências, dúvidas, debates e diferentes sensibilidades no interior da própria Igreja e da sociedade portuguesa.
Luís Miguel Ferraz explicou ainda que optou por prolongar a investigação até 1927, ano em que foi criada a capelania permanente de Fátima e em que o bispo de Leiria presidiu pela primeira vez a uma celebração pública na Capelinha das Aparições, considerando que, nessa altura, estava já consolidado o processo de reconhecimento eclesial do fenómeno.
Ao concluir, o autor manifestou o desejo de que a publicação contribua para uma compreensão mais aprofundada da história de Fátima e do contexto em que se desenvolveu. “Conhecer melhor a história ajuda-nos, acima de tudo, a compreender melhor as pessoas, o seu tempo e as razões pelas quais determinados acontecimentos marcaram profundamente a vida de tantas gerações”, afirmou.