Na terra do meu exílio

Tenho dado conta de que cristãos, tanto leigos como consagrados, têm-se perguntado se o que estamos a fazer é o correcto no que toca à vivência da fé, sobretudo no que se refere à suspensão das eucaristias e à privação presencial dos fiéis à mesma.

Dadas a circunstâncias atuais, e pelo que vou acompanhando no Facebook, faço agora a minha primeira publicação desde que estou de quarentena em casa obedecendo aos conselhos daqueles que certamente sabem mais que eu. “Quem obedece não erra”, ouvi várias vezes da boca do Senhor D. José Policarpo no tempo em que nos cruzávamos por diversos motivos e em diversas circunstâncias, e assim faço. Nunca mais me esqueci destas sábias palavras.

Tenho dado conta de que cristãos, tanto leigos como consagrados, têm-se perguntado se o que estamos a fazer é o correcto no que toca à vivência da fé, sobretudo no que se refere à suspensão das eucaristias e à privação presencial dos fiéis à mesma. Podíamos até achar que Deus nos livraria do vírus se vivêssemos com uma fervorosa fé celebrando a Missa como dantes nas nossas igrejas. A este respeito lembro-me da resposta de Jesus a Lucifer que o tentou no deserto, citando o livro do Deuteronómio: “Não tentarás o Senhor teus Deus”.

No entanto sabemos que o Sacrifício continua a ser oferecido ao Senhor, as Eucaristias continuam a ser celebradas, mas à porta fechada e sem a presença de cristãos. Por isso a igreja não abandonou o seu povo até porque cada um é chamado a cuidar de si próprio nesta fase e nós somos Igreja de Cristo.

Já lá vai uma semana desde que comecei a ficar em casa, e o primeiro domingo nestas condições também foi esquisito para mim; sem missa, parecia não ser a mesma coisa. Tentei adaptar-me e ainda o estou a fazer, acompanho a missa pela televisão, meditando na Palavra e fazendo a comunhão espiritual.

Rezo a liturgia das horas umas vezes sozinho outras vezes acompanhando o Carmelo de Fátima através da internet, pois assim sempre rezo acompanhado vivendo a fé de forma espiritualmente comunitária. Da mesma forma rezo o terço, para além do meu trabalho diário que tende cada vez mais a ser online.

Quantos cristãos perseguidos sem liberdade de viver a sua fé no espaço público, sem poder celebrar missa, têm de viver a relação com o Senhor no silêncio das suas casas e da sua intimidade?

Habituámo-nos no mundo ocidental a centrar a fé tantas vezes exclusivamente na Eucaristia e tantas vezes porque é mais fácil e mais confortável.

É de facto uma forma diferente de vivermos a fé. Certamente que muitos fazem a mesma experiência e sentem o mesmo que eu. É uma Quaresma de quarentena. Felizmente a relação com Deus não tem barreiras e acontece em qualquer lugar. O povo de Deus ao longo da história sempre foi passando por provações, basta olharmos o Antigo Testamento com alguma atenção. Nós, povo de Deus, passamos hoje pela provação do isolamento causado pelo coronavírus. “Na terra do meu exílio louvarei o meu Senhor” (Tob 13, 8 ). Nestas circunstâncias vem-me à memória esta passagem da Sagrada Escritura. Que assim seja!

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