D. José Ornelas, publicou a sua Mensagem para a Quaresma, marcada pelo apelo à solidariedade e à esperança após os recentes fenómenos meteorológicos que atingiram a região. No texto dirigido à Diocese, o prelado sublinha que o tempo quaresmal se inicia “bem marcados pelo temporal que se abateu sobre a nossa Diocese e a região centro do país”, recordando a perda de vidas humanas e os danos materiais sofridos por famílias e comunidades.
Ao mesmo tempo, o bispo destaca a resposta solidária de muitas pessoas e instituições, referindo que, “em tempos de dificuldade, solidariedade e esperança”, a fé e a proximidade fraterna constituem caminhos de renovação.
Mensagem integral https://lefa.pt/?p=75779Escuta da Palavra e vida comunitária
A partir das propostas quaresmais do Papa, o bispo aponta três atitudes essenciais para o caminho até à Páscoa: escuta, jejum e caminhada em conjunto. A primeira é a escuta, sobretudo da Palavra de Deus. “Colocar-se à escuta desta Palavra, cada dia, é o primeiro objetivo da nossa fé e a luz constante para transformar a nossa vida”, afirma.
O prelado convida os fiéis a cultivar a leitura diária da Bíblia e a participação na Eucaristia dominical, lembrando que “é dessa escuta que nasce a verdadeira solidariedade e a força para superar a crise que estamos a sofrer”.
Jejum como libertação e compromisso
A segunda atitude proposta é o jejum, entendido não apenas como abstinência, mas como transformação interior e compromisso concreto com o próximo. O bispo explica que o jejum significa libertar-se “das dependências e do encerramento em si próprio” e assumir atitudes de serviço.
Citando a mensagem pontifícia, sublinha: “Comecemos por desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias. Em vez disso, esforcemo-nos por aprender a medir as palavras e a cultivar a gentileza”.
Conversão das relações e vida sinodal
A terceira dimensão do caminho quaresmal é a vivência comunitária. Segundo o bispo, escuta e jejum conduzem necessariamente ao “caminhar juntos”, fundamento da vida sinodal da Igreja. O texto recorda que a conversão das relações está no centro da transformação eclesial e que ninguém deve sentir-se “simplesmente como ‘utente’ ou ‘cliente’ da sua comunidade, mas irmão ou irmã corresponsável pela vida e a missão da Igreja”.
O bispo salienta ainda o papel das Unidades Pastorais como expressão concreta de comunhão e missão partilhada entre paróquias.
Maria e a reconstrução após a tempestade
Na parte final da mensagem, o bispo dirige o olhar para Maria como modelo de renovação pessoal e comunitária. Evocando a imagem de uma Igreja acolhedora, recorda os danos causados pela tempestade em casas e igrejas da região e apela à mobilização solidária para a reconstrução.
Entre os sinais concretos deste tempo, refere a transferência da imagem da padroeira da cidade para a Sé de Leiria, enquanto decorrem obras de recuperação na Igreja de Nossa Senhora da Encarnação. O gesto é descrito como símbolo de uma Igreja que procura “casa para quem não a tem ou a perdeu”.
O prelado anuncia ainda que a renúncia quaresmal será destinada ao apoio das pessoas e comunidades afetadas pela tempestade, em colaboração com a Cáritas diocesana, e convida os fiéis à peregrinação anual ao Santuário de Fátima.
A mensagem conclui com um agradecimento pelos gestos de solidariedade já realizados e com a invocação da bênção divina para o caminho quaresmal da diocese.



