Luz da Paz de Belém iluminou a Sé de Leiria numa celebração-concerto

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A Sé de Leiria acolheu, na noite de segunda-feira, 15 de dezembro, às 21h30, a celebração-concerto de partilha da Luz da Paz de Belém, promovida pelos escuteiros da Região de Leiria-Fátima. Num ano particularmente significativo, marcado pelo encerramento das celebrações do centenário da presença do Escutismo Católico na Diocese de Leiria-Fátima, este momento assumiu um figurino distinto, no qual o habitual gesto simbólico da Luz se uniu à força expressiva da música.

“Todos os anos este momento marca-nos e emociona-nos, mas sinto que hoje esta luz chega até nós com uma profundidade ainda maior”, afirmou o chefe regional do Corpo Nacional de Escutas, Pedro Nogueira, sublinhando que a Luz da Paz de Belém parece, neste contexto, “recordar-nos quem somos e para onde devemos caminhar”.

A celebração decorreu num ambiente de recolhimento e comunhão, reunindo escuteiros de toda a região, dirigentes, famílias, representantes das paróquias, grupos pastorais, instituições e numerosos fiéis. A Sé tornou-se, assim, espaço de encontro, num itinerário espiritual que conduziuos presentes ao coração da mensagem do Natal, intensificado pela envolvência musical proporcionada pela Sociedade Artística Musical dos Pousos (SAMP), que acompanhou cada momento com interpretações inspiradoras e emotivas.

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Um sinal simples que atravessa fronteiras

A Luz da Paz de Belém é um gesto simples, mas carregado de significado. A iniciativa nasceu em 1986, na Áustria, no âmbito de uma campanha de solidariedade natalícia promovida pela Rádio e Televisão Austríaca. Todos os anos, uma pequena chama é acesa na Gruta da Natividade, em Belém, como sinal de esperança para crianças e famílias em situação de fragilidade, iniciando um percurso que atravessa fronteiras, culturas e crenças.

Na celebração na Sé de Leiria, este horizonte mais vasto esteve sempre presente. “Não recebemos esta luz apenas para nós”, sublinhou Pedro Nogueira. “Ela lembra-nos que cada gesto de bondade acende uma clareza nova no mundo e que cada um de nós pode ser uma pequena faísca de paz, onde quer que esteja.”

A chegada da Luz à Europa é assinalada por uma cerimónia solene, habitualmente celebrada na Áustria, que reúne representantes de várias confissões cristãs, autoridades civis, meios de comunicação social e delegações de escuteiros de diversos países. A chama é então confiada aos escuteiros, que assumem a missão de a levar às suas comunidades.

Em Portugal, este gesto é acolhido e difundido pelo Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português, que, durante o tempo do Advento, promove a sua partilha por todo o território. Na diocese de Leiria-Fátima, a iniciativa envolve também a Cáritas Diocesana, através da campanha “10 Milhões de Estrelas – um gesto pela Paz”, bem como paróquias, grupos caritativos, grupos de catequese e de jovens, convidados a fazer chegar esta chama a todas as comunidades.

Um caminho de luz até ao altar

Um dos momentos mais expressivos da celebração foi a entrada solene da Luz da Paz de Belém na Sé. Os guias regionais estavam dispostos ao longo de todo o corredor central, desde a entrada até ao altar, cada um segurando uma vela destinada aos agrupamentos. À medida que a chama avançava, as velas iam sendo acesas progressivamente, num gesto que transformou o espaço num verdadeiro caminho de luz.

Este gesto simbólico deu corpo ao tema proposto para este ano. “Falamos de uma luz que orienta”, explicou o chefe regional, “não uma luz que se impõe, mas uma luz discreta e persistente, que aparece mesmo quando o caminho se torna menos nítido”.

A Luz foi finalmente depositada no altar, enquanto a música da Sociedade Artística Musical dos Pousos envolvia este momento com uma sonoridade que ecoava nas paredes do templo. A celebração-concerto revelou-se, assim, uma linguagem renovada para comunicar a mensagem da Luz da Paz de Belém, especialmente significativa no contexto do centenário do Escutismo Católico na Diocese.

VÍDEO
https://youtu.be/Y6SGVWcC9Fk

“Não somos donos da história, mas os seus continuadores”

Na sua intervenção, Pedro Nogueira articulou o símbolo da Luz com dois grandes momentos vividos pela diocese de Leiria-Fátima: a chama do centenário do Escutismo Católico e o tema do Jubileu de 2025, Peregrinos da Esperança.

“Somos peregrinos caminhantes que não se instalam”, afirmou, sublinhando que a esperança “não é um sentimento, mas uma decisão diária de confiar, de construir e de servir”. Para o responsável regional, luz, chama e esperança não são apenas palavras inspiradoras, mas “o coração daquilo que procuramos ser enquanto escuteiros”.

Evocando a história da região, destacou que “ao longo de cem anos, a nossa Região foi uma sucessão de luzes que se ligaram umas às outras”, desde dirigentes que foram farol para jovens até agrupamentos que se tornaram chama viva no serviço às comunidades. “Cem anos depois, recebemos esta luz sabendo que não somos donos da história, mas os seus continuadores”, afirmou.

Dirigindo-se aos escuteiros e às famílias, deixou um apelo claro: “Quando levarem esta luz convosco, que cada vela acesa seja também um desejo, o desejo de sermos, juntos, um mapa vivo de esperança para a nossa região e para a nossa diocese”.

VÍDEO
https://youtu.be/SJm63ccdByM

“Deixemos que a luz nos entre nos olhos e no coração”

O bispo diocesano, D. José Ornelas, manifestou a alegria de ver reunidas, em torno da Luz da Paz de Belém e da proximidade do Natal, tantas pessoas e entidades da vida da cidade e da diocese. Evocando o nascimento de Jesus, recordou que “uma luz brilhou, uma luz vinda do céu, e ouviu-se uma música nova, no meio do choro de uma criança recém-nascida”.

Agradecendo à Sociedade Artística Musical dos Pousos, sublinhou o valor da música como linguagem que toca o coração: “Obrigado pela música bonita que aqui nos trouxeram, tocada por uma banda intergeracional, mas particularmente juvenil, que nos dá uma esperança muito grande”.

Para o bispo de Leiria-Fátima, esta celebração ajudou a viver o Natal de forma renovada. “Que deixemos que esta luz nos entre nos olhos e nos abra a realidade para a entendermos de um modo novo, mas que entre também no nosso coração como música, que nos dá alento e força”, afirmou.

Recordando que Jesus nasceu no contexto de uma família migrante, D. José Ornelas sublinhou que o Natal é convite à solidariedade e à partilha: “Esse é o espírito do Natal, fazer da nossa vida e deste mundo um mundo melhor, onde todos possamos partilhar os dons que recebemos”.

Dirigindo-se de modo particular aos escuteiros, deixou um desafio concreto: “Todas as vezes que acenderem uma luz, lembrem-se de que estão a acender alegria nos corações e a ajudar a criar um mundo mais fraterno, mais solidário e mais em paz”.

VÍDEO
https://youtu.be/r06QGmWBhJg

Uma chama que continua a espalhar-se

No final da celebração, a Luz da Paz de Belém foi distribuída pelos representantes dos agrupamentos e das comunidades presentes na Sé de Leiria. A chama, acesa no altar, passou de mão em mão, iluminando o espaço e simbolizando o envio de cada participante como portador de paz e esperança.

A partir deste momento, a Luz seguirá caminho pelas paróquias da Diocese de Leiria-Fátima, onde será acolhida em celebrações comunitárias e partilhada com as comunidades locais. Em cada igreja, capela, instituição ou família, esta chama continuará a ser sinal da paz que nasce em Belém e que é chamada a transformar gestos, relações e realidades concretas.

A celebração-concerto da Luz da Paz de Belém na Sé afirmou-se como um momento alto da vida diocesana, unindo tradição e renovação, memória e futuro, silêncio e música. Num tempo marcado por incertezas e desafios, a chama vinda da Gruta da Natividade voltou a recordar que a esperança se constrói em gestos simples e partilhados e que cada pessoa, cada comunidade e cada paróquia é chamada a ser luz no caminho dos outros, neste Natal e ao longo de todo o ano.

VÍDEO
https://youtu.be/u63GbmUydN8

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