Jornalistas alertam para preconceito sobre religião nas redações generalistas

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Jornalistas e responsáveis da comunicação refletiram, em Lisboa, sobre os desafios da informação religiosa nas redações generalistas, defendendo que o fenómeno religioso continua a ser alvo de preconceito e incompreensão, apesar da sua relevância social e cultural.

O encontro, promovido pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais na Agência Lusa, assinalou o Dia Mundial das Comunicações Sociais e reuniu profissionais de órgãos de informação, colaboradores de secretariados diocesanos e assessores de comunicação.

O jornalista da CNN Portugal e da TVI Joaquim Franco afirmou que o preconceito acompanha há muitos anos os profissionais que trabalham temas religiosos em redações não confessionais. O jornalista considerou existir desconhecimento sobre esta área e lamentou que a religião continue a ser tratada de forma superficial, apesar do impacto que tem na sociedade.

Também Ana Isabel Costa, jornalista da RTP, sublinhou a complexidade própria desta editoria, destacando a necessidade de aprender linguagens, hierarquias e contextos específicos. A profissional defendeu que a religião não deve ser vista como um tema de nicho, mas como uma realidade cultural e social que atravessa todas as áreas da vida coletiva.

A sessão incluiu ainda uma intervenção de Octávio Carmo, chefe de redação da Agência ECCLESIA, sobre os desafios do jornalismo perante a Inteligência Artificial. O jornalista alertou para o risco de a sociedade passar de um modelo de procura de informação para uma lógica de confirmação ideológica, favorecida pelos algoritmos das plataformas digitais.

Entre os desafios apontados estiveram a necessidade de recuperar o jornalismo de proximidade, contrariar as “bolhas de consenso” e distinguir claramente conteúdos produzidos por Inteligência Artificial daqueles que resultam do trabalho humano.

O encontro terminou com uma intervenção de D. Alexandre Palma, presidente eleito da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais, que apelou a uma comunicação marcada pela escuta, pelo acompanhamento e pela presença junto das realidades concretas.

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