Jornadas do Clero do Centro refletiram sobre a conversão das relações na Igreja

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As Jornadas do Clero das Dioceses do Centro realizaram-se em Fátima, nos dias 27, 28 e 29 de janeiro de 2026, reunindo ministros ordenados das dioceses de Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria-Fátima, Portalegre-Castelo Branco e Viseu. Sob o tema “Conversão das relações: da comunhão à missão”, o encontro propôs uma reflexão aprofundada sobre a sinodalidade, a vida espiritual e o exercício do ministério ordenado no contexto da Igreja local.

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A sessão de abertura contou com a intervenção do bispo de Coimbra, que sublinhou que os ministros ordenados são “o rosto visível, quase material e físico da Igreja”, defendendo a necessidade de um caminho contínuo de renovação da relação com Deus e das relações humanas, dentro e fora da comunidade. Alertou ainda para o risco de estagnação sem um percurso formativo consistente, sublinhando a importância destes momentos de encontro e reflexão.

O primeiro orador das jornadas foi Dario Vitali, professor da Universidade Gregoriana de Roma e perito nas sessões da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. A sua intervenção centrou-se nas raízes sacramentais do Povo de Deus e na sinodalidade, entendida não como o direito de falar, mas como o dever de escutar. Destacou que “o primeiro ato da Igreja é a escuta” e apresentou um modelo de comunhão entre Igrejas, em que a escuta recíproca sustenta a missão, valorizando de forma particular a Igreja local. A tarde terminou com trabalho em grupos, segundo o método da Conversação no Espírito, a partir da questão sobre a implementação do discernimento sinodal na vida das comunidades.

No segundo dia, Alphonse Borras, sacerdote belga e perito na última assembleia do Sínodo dos Bispos, refletiu sobre a conversão das relações no ministério ordenado e nas comunidades diocesanas, paroquiais e nas unidades pastorais. Sublinhou que o ministério ordenado está ao serviço da harmonia, uma harmonia que integra diversos ministérios, deixando de ser compreendido em si mesmo para ser vivido na, com e para a comunidade. Desafiou ainda os ministros a reconhecerem e valorizarem a ação de Deus no seu povo, assumindo um papel de catalisadores dos carismas presentes em todos os batizados.

Numa segunda conferência, o orador aprofundou o tema da comunhão para a missão, defendendo a passagem de uma visão puramente territorial para uma Igreja de laços, partilha de dons e corresponsabilidade. Referiu que a paróquia deve ser um espaço onde todos se sintam em casa, com especial atenção aos mais invisíveis e marginalizados, e destacou o papel dos conselhos pastorais como lugares de releitura da realidade e de aprofundamento da consciência missionária. O dia concluiu novamente com grupos de Conversação no Espírito, centrados na promoção da corresponsabilidade nas comunidades.

O terceiro dia das jornadas foi dedicado à espiritualidade do ministério ordenado num contexto de Igreja sinodal. Emilio Lavaniegos González sublinhou que a sinodalidade, entendida como “caminhar juntos”, faz parte da tradição cristã e que o ministério sacerdotal existe para servir o Povo de Deus. Destacou o cuidado solícito do povo como característica essencial da espiritualidade sinodal.

A tarde incluiu ainda a apresentação dos resultados de um inquérito promovido pela organização das jornadas, que abordou a situação do ministro ordenado, nomeadamente a saúde física e espiritual e as relações com a hierarquia e os pares. Margarida Neto, psiquiatra, refletiu sobre o ministério ordenado entre a espiritualidade, a fragilidade e o burnout, clarificando sinais de alerta associados ao desgaste. Emilio Lavaniegos González retomou o tema da fragilidade, sublinhando que esta não é um erro de percurso, mas uma condição permanente, e alertou para os desafios de um ministério marcado pela exposição pública e por estilos de vida exigentes.

As Jornadas do Clero das Dioceses do Centro realizaram-se pelo terceiro ano consecutivo. Após três dias de reflexão, partilha e escuta, ficou expresso o desejo de continuar o caminho de conversão das relações e de aprofundar uma vivência sinodal, assente na comunhão e orientada para a missão.

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