Jorge Fernandes já é sacerdote e D. António Marto pede-lhe para ser pastor, pai e irmão

De Vale do Peso, que nos últimos censos de 2011 ainda era uma freguesia de pouco mais de duas centenas de habitantes, até à catedral de Leiria vai a distância de uma vida cujo caminho foi trilhado com a ajuda de quem Deus quis que lhe desse a mão e a força necessária para fazer a escolha que hoje muito poucos querem.

Há uns anos, ninguém imaginaria que aquele rapaz licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, nascido há 46 anos numa aldeia escondida no Alto Alentejo, viesse a ser ungido pelas mãos do bispo de Leiria-Fátima, o cardeal D. António Marto e ordenado sacerdote. De Vale do Peso, que nos últimos censos de 2011 ainda era uma freguesia de pouco mais de duas centenas de habitantes, até à catedral de Leiria, vai a distância de uma vida cujo caminho foi trilhado com a ajuda de quem Deus quis que lhe desse a mão e a força necessária para fazer a escolha que hoje muito poucos querem.

Jorge Fernandes sentou-se naquela cadeira a primeira da assembleia que ocupava a nave central da sé, eram 16h00 do dia que o país assinalava a revolução que o libertara da ditadura. Vestia a simples túnica que, não fosse a ocasião especial, o faria ser considerado como mais um dos ajudantes do altar. Cerca de hora e meia depois, pelo grau do sacerdócio em que fora investido, passaria a ocupar o lugar que lhe estava destinado na celebração ao lado daquele a quem também jurara fidelidade.

Numa celebração normal que, por hoje, começa a rarear, o templo seria pequeno para acolher família, amigos, fiéis e curiosos que, certamente, fariam questão de participar e ver com os seus próprios olhos o o novo presbítero da Diocese. Mas não deu: as regras da pandemia obrigaram à escrupulosa distribuição dos lugares possíveis pelos que o presidente da celebração chamou de representantes de toda a Igreja Diocesana, em que se incluía todos os padres que, em grande número, quiseram ter a oportunidade de, também eles, imporem as mãos sobre a fronte do neo-sacerdote.

Ser Pastor

Por ser o domingo do Bom Pastor, o cardeal D. António Marto não podia deixar de destacar “um dos ícones mais belos e sugestivos que, desde os primeiros séculos, representa o Senhor Jesus, e que, ao mesmo tempo, ilumina a vida e a missão dos presbíteros enquanto pastores da comunidade cristã; desde logo, porque através desta imagem simples e sugestiva compreendemos que o Senhor ressuscitado não abandona o Seu povo”. Por esta razão, fez todo o sentido que, no final da Missa, todos os presentes pudessem levar para casa um lembrança da cerimónia: uma pequena pagela com a réplica de uma aguarela representativa do Pastor abraçado à sua ovelha.

“O evangelista São João traça o retrato do pastor verdadeiro, bom e belo, em contraste com afigura do estranho, do mercenário ou do salteador, e caracteriza este pastor com o laço recíproco da ternura e da familiaridade que estabelece entre ele e a ovelha”, desenvolveu o prelado na homilia. “Ele chama-as e elas sentem-se reconhecidas, caminha à sua frente e elas seguem-nos e sentem-se orientadas, defende-as até dar a vida por elas e elas sentem-se protegidas”. D. António Marto diz que “o Senhor ressuscitado continua a cuidar do Seu povo, não através de uma elite de funcionários, mas através de pastores por Ele escolhidos e dados ao seu rebanho”.

Dirigindo-se ao ordinando Jorge Fernandes, o bispo de Leiria-Fátima explica que o “sacramento da Ordem faz-te participante do amor de Cristo pelo Seu povo, da sua própria missão; és escolhido, chamado e enviado por Ele a espalhar a semente da Sua Palavra que traz em si o Reino de Deus, a oferecer a divina misericórdia que cura as feridas, que perdoa e liberta do pecado, que oferece conforto e alívio à dor dos sofredores e feridos da vida”. Na apresentação daquelas que entendem ser as características de um padre, o cardeal afirma que “há que conhecer as ovelhas com o coração”.

Ser pai

Outro ícone apresentado pelo celebrante, foi a figura de São José que o Papa Francisco apresentou muito recentemente como modelo da paternidade, também para os pastores da Igreja. “Sempre que alguém assume a responsabilidade pela vida de outrem, em certo sentido exercita a paternidade a seu respeito; na sociedade atual, muitas vezes o filhos parecem ser órfãos de pai, a própria Igreja de hoje precisa de pais”, cita as palavras do Papa que também afirma que “cada sacerdote ou bispo deveria poder dizer como o apóstolo São Paulo: ‘meu filhos, por quem sinto outra vez as dores de parto até que Cristo se torne em vós'”. Daí que tenha convidado todos os sacerdotes presentes a “apreenderem a arte da paternidade”.

“São José não parece dotado de carisma excepcionais, nem aparece como personagem especial aos olhos de quem o encontrava, não era famoso nem dava nas vistas e, todavia, através da sua vida normal, realizou algo de extraordinário aos olhos de Deus que reconheceu nele um coração de pai”, referiu D. António Marto. E concluiu: “caro Jorge, sê um pastor com coração de pai, acolhedor, terno e compassivo”.

Ser irmão

A terceira personagem evocada pelo cardeal, foi a do beato Charles de Foucauld cuja canonização não se pôde realizar no ano passado por causa da pandemia. Do seu contributo para a vida da Igreja, destaca-se uma página que descreve a atitude com que se deve anunciar o Evangelho. As duas ideias básicas do seu ideal são: a do irmão universal e a opção de viver os condimentos de Nazaré “onde a vida, mais do que as palavras, era ela mesma anúncio”. O beato numa carta refere os meios com que pretende evangelizar os tuaregues, para junto de quem se retirou: “a bondade, a ternura, o amor fraterno, o exemplo da virtude, com a humildade e a doçura, sempre tão atrativas e cristãs, sem nunca dizer uma palavra sobre Deus ou a religião, sendo paciente como Deus, bom como Deus, sendo um irmão afectuoso”.

“Caro Jorge, sê pastor, irmão com o coração universal de irmão, irmão de todos, os que são próximos e os que andam afastados, dos santos e dos pecadores, e sobretudo dos frágeis e dos pobres”.

A finalizar a homilia, D. António Marto lembrou que se celebrava também o domingo da Oração pelas Vocações e convidou toda a Diocese a ter presente esta necessidade da Igreja nas suas orações e nas suas práticas.

Jorge Fernandes celebrará as suas “Missas Novas” nos dias 1 e 9 de Maio, respectivamente em Vale do Peso e Marinha Grande.

Fotografias
http://l-f.pt/XM9
Vídeo
https://youtu.be/xeBfTNri4ho

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