A publicação da encíclica Magnifica Humanitas colocou a Igreja Católica na linha da frente da reflexão ética sobre a inteligência artificial, considera o chefe de redação da Agência ECCLESIA, Octávio Carmo. Em declarações ao Programa ECCLESIA, o jornalista sublinhou que o documento representa uma opção pouco habitual no magistério católico: abordar uma transformação tecnológica em curso antes de surgirem consequências irreversíveis.
Assinada por Leão XIV e divulgada a 25 de maio, a encíclica alerta para os riscos da utilização da inteligência artificial em contexto militar, defendendo que decisões relacionadas com a guerra não podem ser reduzidas a cálculos algorítmicos. Segundo Octávio Carmo, o Papa rejeita a lógica de sistemas capazes de justificar perdas humanas em nome de vantagens estratégicas, lembrando que a dimensão imprevisível da pessoa humana não pode ser substituída por processos automáticos.
O documento aborda ainda o impacto da inteligência artificial no mundo laboral, chamando a atenção para a possível destruição de postos de trabalho e para a necessidade de colocar a dignidade humana no centro do desenvolvimento tecnológico.
Outro dos aspetos destacados pelo jornalista é a concentração de poder e de informação nas grandes plataformas digitais. A encíclica convida os utilizadores a questionarem quem controla os dados, os algoritmos e os interesses económicos que moldam as respostas fornecidas por estas ferramentas. Com 245 pontos distribuídos por cinco capítulos, Magnifica Humanitas é a primeira encíclica de Leão XIV e a 301.ª da história da Igreja Católica.