Fé no meio da tempestade

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…E eu nunca pensei ter uma Fé tão grande, com uns alicerces e sapatas tão fortes, tão fortes e de uma imensa extensão que ligava a terra ao Céu, vinda em meu auxílio para me tranquilizar.

Ouvi o pandemónio do ranger das árvores que partiam em simultâneo com os painéis solares que voavam dos telhados e queda de outras estruturas. Faziam um barulho ensurdecedor e demoníaco. E eu recordava com calma e sem medo as cenas da Sagrada Escritura que tenho memorizadas desde a infância. Vieram de mãos dadas em meu auxílio quadros que estavam guardados no palácio da minha memória e não se esqueceram de convidar a minha sensibilidade. 

Formou tudo um cocktail que me fez dizer centenas de vezes: “Mandai Senhor o vosso Espírito e tudo será alterado à face da Terra”.

A minha mente visualizou a barca em que Cristo seguia no mar tempestuoso com grandes ondas, comandadas por fortes ventos e os apóstolos muito amedrontados diziam: Senhor, olha que perecemos. Pensei na Sua resposta dada com o rosto sereno cheio de ternura: Não tenhais medo! Homens de pouca fé! E levantando as mãos ordenou aos ventos e ao mar que serenassem.

Depois, como o uivo demoníaco continuasse sem dar uma pequenina trégua, eu cantava, cantava alto, sem cessar. Se os meus dias acabassem nesse instante eu morria a cantar para que o universo inteiro me ouvisse: «Mandai Senhor o vosso espírito e tudo será alterado à face da Terra.»

No dia 30 de janeiro tinha programada a ida a Coimbra, por motivos médicos. Encontrei uma cidade que considerei o céu na terra. Eu levava comigo a imagem duma Leiria catastrófica, tudo me cheirava a tempestade e destruição. Passados dois dias, voltei e fui ao multibanco da Barreira e tive medo que as minhas emoções toldassem o pensamento. Chorei ao ver aquelas árvores centenárias, nomeadamente as tílias do Jardim do Visconde da Barreira, completamente destruídas, transformadas já em grossos e cilíndricos pedaços de tronco e o muro que o separava da estrada principal desmoronado.

Uma voz interior cheia de força, vinda do mais profundo do meu ser, ordena-me com uma autoridade proporcional à força com que eu cantava no dia 28 de janeiro de 2026, às 4H10 da manhã: «Tens que aceitar a realidade. A tua Barreira está completamente descaraterizada. Os meninos pequenos que ainda não sabem andar e os outros que irão nascer não verão a beleza da aldeia onde nasceste. Verão as fotografias!»

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