Dia de BP. São escuteiros, senhora, são escuteiros…

A jornada pretendia fazer a habitual celebração anual do aniversário natalício do seu fundador, Baden-Powell. Por norma, seria mais cedo, já que o general britânico nascera a 22 de fevereiro.

Estivesse, no dia 1 de março, a mais conhecida inquilina do castelo de Leiria a olhar lá para baixo onde agora se ergue o estádio municipal, repararia em movimentações estranhas de inúmeros jovens, fardados a preceito. Vindos dos oito concelhos que integram a Junta Regional de Leiria-Fátima do Corpo Nacional de Escutas (CNE) — Alcanena, Alcobaça, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Ourém, Pombal e Porto de Mós —, os escuteiros das quatro secções que compõem o movimento e que se distinguem pelas cores do lenço que trazem ao pescoço começaram o ajuntamento pouco antes das nove da manhã desse dia.

A jornada pretendia fazer a habitual celebração anual do aniversário natalício do seu fundador, Baden-Powell. Por norma, seria mais cedo, já que o general britânico nascera a 22 de fevereiro. Todavia, com as festividades carnavalescas a coincidirem com a data, o evento tinha sido excepcionalmente adiado por forma a garantir a presença do maior número possível de participantes. A organização previu a presença de 2500 escuteiros e esses números não estiveram longe da realidade. Mais ainda, com a vinda dos pais que também vêem neste dia uma oportunidade de participar mais ativamente em algumas atividades do movimentos e experimentarem a mística que se lhe associa, foram mais de 3000 as pessoas que ocuparam os lugares das bancadas do topo sul do estádio.

BP e Santa Isabel

Para além do aniversário do fundador, havia mais dois motivos que levaram os agrupamentos da região a juntarem-se ali: o congénere da cidade de Leiria, de número 127, fazia 60 anos da sua criação e, coincidentemente, a temática escolhida este ano pelo CNE a nível nacional, centra na personagem da rainha santa Isabel, com o lema “servir ao jeito de Isabel de Portugal”. Esta homenagem à rainha que ajudava os pobres às escondidas do marido fazia todo o sentido ser ali à porta da casa dela. E foi por isso que a organização escolheu o lema que era bem visível dentro do recinto: “são rosas, BP, são rosas…”

O tempo não garantia que o programa corresse como previsto. A meteorologia previa chuva durante todo o dia e, por isso, estava em cima da mesa da organização a possibilidade de terminar a actividade após a celebração da Missa. Mas um escuteiro não desiste à primeira adversidade e é por isso que um grupo da Batalha era assertivo na decisão: “não é a chuva que nos vai mandar para casa; vamos estar até ao fim”. A bem dizer, faziam secretamente figas para que o São Pedro fizesse temporariamente umas tréguas, sobretudo para evitar umas constipações.

Foi sob esta ameaça que começou a celebração eucarística presidida pelo bispo D. António Marto. O momento era de festa e foi nesse tom que o cardeal começou a homilia: “é um espetáculo ver-vos daqui!”. E não era para menos: a massa humana era bem evidente e a espaços expressava a sua alegria, ora fazendo girar os lenços, ora acompanhando coro nos diversos momentos da celebração.

Alerta para vencer o mal

D. António Marto começou por fazer referências às leituras que sublinhavam a imagem da astuciosa serpente como “símbolo da tentação e do veneno do mal” e que faz perder o “sentido do bem e do mal”. Esta ideia também é recuperada no evangelho do dia que relata as tentações de Jesus no deserto, do qual o Bispo extrai a expressão mais forte: “nem só de pão vive o homem”. O celebrante explica o seu significado, dizendo que o homem não vive apenas de coisas materiais que apenas se traduzem num bem estar físico. Mais do que isso “é preciso viver um amor maior, o amor de Deus” que se manifesta no amor ao próximo, na solidariedade com os mais pobres, na busca da justiça, na fidelidade à palavra dada e aos compromissos. D. António Marto acaba por dar exemplos das tentações a que os jovens estão sujeitos nos locais que frequentam, como a escola. É também aí que o mal assume diversas formas: no “bullying”, na vingança e na mentira. E vais mais longe: “viver agarrado ao telemóvel e não ter tempo para a família e os amigos, também são tentações”.

É neste ponto que introduz as duas personagens do dia para apresentá-las como exemplos de quem responde à tentação com uma atitude positiva e eficaz. “Santa Isabel é um exemplo: venceu a tentação do egoísmo e tentou construir a paz na sua própria família”, afirmou o Bispo, enquadrando com o facto histórico que foram as relações tensas entre o rei D. Dinis e o seu filho, o futuro rei Afonso IV, que chegaram a provocar uma guerra civil. Também Robert Baden-Powell é apresentado como exemplo por ter fundado “este movimento para ajudar os jovens a serem cidadãos responsáveis”.

O Bispo de Leiria-Fátima terminou com a a expressão mais familiar aos escuteiros: alerta! “Alerta para vencer as tentações, para viver o amor, para servir os mais frágeis, para vencer a força do mal…”

Sementes de trigo no lugar de rosas

No final da celebração, a chuva começa a dar sinal de vida como quem quis juntar-se à festa. Chuva de pouca dura que não desmobilizou ninguém que, logo a seguir foram aconchegar o estômago que o homem também precisa de pão. Enquanto isso, as autoridades presentes, sobretudo representantes das autarquias da Região de Leiria-Fátima juntaram-se num porto de honra dentro das instalações do estádio. Um dos presentes era o chefe nacional, Ivo Faria, que manifestou a sua gratidão pela presença de muitos autarcas, sinal da união entre a sociedade civil e autárquica e fez uma referência à rainha Santa Isabel. “O verdadeiro milagre aconteceu todos os dias quando ela ajudava as pessoas que mais precisavam; é por isso que escolhemos como símbolo, não a rosa, mas a espiga de trigo, para percebermos que o verdadeiro milagre acontece quando o trigo que é fruto, também é semente”, partilhou Ivo Faria que disse acreditar nos jovens para fazerem um mundo melhor “com a semente que são”.

O chefe regional, Vítor Faria, também lembrou que a Região de Leiria-Fátima faz 95 anos no dia 20 de março e vai ser feita uma festa para que a efeméride seja lembrada.

Durante a tarde, os escuteiros fizeram os seus habituais jogos de cidade, enquanto os pais presentes se juntaram em equipa para fazerem um “peddy-paper”. Afinal, a chuva tinha-se resguardado mais para o final do dia. Por isso, se a recolha das rosas que os jovens tinha decorrido sem sobressaltos, já o momento do encerramento teve de ser deslocado do jardim da Almoinha Grande para o interior do estádio, com todos os constrangimentos que isso implicou e que deu uma nota menos positiva ao dia.


Galeria de fotos: http://bit.ly/32K6bOR


Soutaria TV esteve a fazer um direto do dia de BP:

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