A Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, reunida em Fátima, elegeu, esta terça-feira, 14 de abril, a nova presidência e os restantes órgãos para o triénio 2026-2029. D. Virgílio do Nascimento Antunes foi escolhido como presidente, sucedendo no cargo após ter exercido funções como vice-presidente desde 2020.

Para vice-presidente foi eleito D. José Manuel Garcia Cordeiro. A Assembleia elegeu ainda como vogais do Conselho Permanente D. António Augusto de Oliveira Azevedo, D. António Manuel Moiteiro Ramos, D. Armando Esteves Domingues e D. José Augusto Traquina Maria. O Conselho integra também D. Rui Manuel Sousa Valério, na qualidade de membro nato, por ser Patriarca de Lisboa.
A Conferência Episcopal Portuguesa informou que o secretário, os presidentes das comissões episcopais e os delegados eleitos serão anunciados posteriormente.
Missão de continuidade e serviço
Nas primeiras declarações após a eleição, D. Virgílio Antunes sublinhou o caráter de serviço associado ao novo cargo, referindo tratar-se de “uma missão” que se insere na continuidade do trabalho da Igreja. “Vamos por diante, dando continuidade a um caminho da Igreja em Portugal, que já tem muitos séculos”, afirmou.
O novo presidente destacou o trabalho desenvolvido pela anterior presidência, apontando a importância da “harmonia dentro dos bispos e dentro da Igreja em Portugal” e o acompanhamento de temas relevantes como a evangelização, a coesão e a liturgia, bem como questões como a proteção de menores e os abusos sexuais na Igreja.
D. Virgílio Antunes referiu ainda que não existem “dossiês fechados” na vida da Igreja, sublinhando a necessidade de continuidade e aprofundamento do trabalho em curso. “Há um conjunto de dossiês que são do nosso tempo”, disse, apontando também desafios da sociedade atual, como os conflitos internacionais e outras problemáticas sociais.
Igreja atenta à sociedade e aberta ao diálogo
O presidente eleito afirmou que a Conferência Episcopal pretende manter-se atenta às questões fundamentais da Igreja e da sociedade, garantindo disponibilidade para o diálogo. “Não pode haver uma conferência episcopal […] que esteja alheia às questões fundamentais que se passam dentro da própria Igreja e dentro da sociedade”, declarou.
Na sua intervenção, destacou igualmente o testemunho recente do Papa Leão XIV, referindo a importância de uma presença marcada pelo Evangelho e pela atenção à realidade contemporânea.
D. Virgílio Antunes assinalou ainda a presença de novos bispos na Assembleia, considerando que trazem “uma nova energia” e perspetivas que podem contribuir para o futuro da Igreja em Portugal.
Dirigindo-se aos católicos e à sociedade em geral, deixou uma mensagem de abertura e colaboração: a Conferência Episcopal Portuguesa quer continuar o seu trabalho “de uma forma atenta, […] livre e […] aberta à colaboração de todos”, incluindo a comunicação social, cuja relevância sublinhou.
Percurso de D. Virgílio Antunes
Natural de São Mamede, Batalha, diocese de Leiria-Fátima, onde nasceu a 22 de setembro de 1961, D. Virgílio Antunes foi ordenado sacerdote em 1985. Ao longo do seu percurso, desempenhou funções como formador e reitor do Seminário Diocesano de Leiria, docente na área bíblica e reitor do Santuário de Fátima entre 2008 e 2011.
Nomeado bispo de Coimbra por Bento XVI em abril de 2011, recebeu a ordenação episcopal em julho do mesmo ano, tendo iniciado então o seu ministério episcopal naquela diocese.
Na Conferência Episcopal Portuguesa, foi presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios entre 2011 e 2017 e vogal do Conselho Permanente entre 2014 e 2020, assumindo depois o cargo de vice-presidente. Foi ainda delegado à XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos.