Uma revelação especial numa procissão do Corpo de Deus, em 1913, leva a jovem Maria Oliva Bonaldo a desejar a vida religiosa e a sonhar com uma congregação totalmente dedicada a servir a Igreja de Cristo. Esse sonho virá a tomar corpo com a fundação das Filhas da Igreja, em 1938.
“Procissão de Deus entre os homens”

Aos 20 anos, quando já pensava casar e formar a sua própria família, acontece o inesperado que faz transformar toda a sua perspectiva de futuro. Apesar do ambiente hostil às manifestações religiosas, decide participar no pequeno cortejo de uma procissão do Corpo de Deus, na sua terra natal, e é alcançada por uma “graça de luz e de força” que descreve assim: “compreendi Jesus, compreendi a Igreja, compreendi para quem devia viver”.
Decide torna-se religiosa e começa aí um percurso de amor e de dor, com uma primeira indicação contrária do seu diretor espiritual. Só aos 27 anos receberá dele a autorização para entrar nas Filhas da Caridade Canossianas, continuando a estudar até obter a “láurea” em Letras e Filosofia, com nota máxima na tese “A Virgem no Humanismo”, após o que fica diretora do Instituto de Magistério das Canossianas em Treviso.
Mas não era ainda esse o seu sonho. Tal só será concretizado em 1938, ao ser-lhe permitido, após anos de recusas, criar a primeira comunidade das Filhas da Igreja. A aprovação pontifícia viria em 1949, quando já se estendia a várias localidades, mas será o movimento de renovação litúrgica trazido pelo Vaticano II a potenciar a expansão por todo o mundo. Estão atualmente em Itália, França, Espanha, Portugal, Turquia, Índia, Colômbia, Equador, Bolívia e Brasil, e a preparar a abertura de uma casa nas Filipinas.
Carisma e apostolado

Esta “paixão” pela Igreja de Cristo e pela humanidade, herdada da fundadora, é vivida por cada irmã através do testemunho de uma vida sóbria, sorridente, de oração e de uma fraternidade simples e familiar, vivida à imagem da primeira comunidade cristã.
A sua espiritualidade assenta na liturgia, fonte e cume da vida da Igreja, cujas celebrações são louvor à Santíssima Trindade e, ao mesmo tempo, prolongamento do mistério celebrado no quotidiano. No centro desta vida espiritual, a Eucaristia alimenta a escuta orante da Palavra de Deus, inspira as relações fraternas e torna as Filhas da Igreja “adoradoras de Cristo” que Se mostra em procissão entre os homens”.
Tal como em toda a vida da Igreja, é da Eucaristia que brota a atividade evangelizadora da congregação, segundo as necessidades locais: animação litúrgica, presença pastoral, ação ecuménica, apostolado mariano, projetos de promoção humana e social, sempre com o objetivo de formar para o sentido profundo da Igreja e educar para a contemplação.
Neste serviço, é especial modelo a Mãe de Jesus e Mãe da Igreja: “Nela vemos realizado o ideal de santidade para o qual tendemos, procurando realizar a nossa aspiração de Filhas em união com ela e como ela: à disposição exclusiva de Cristo e da Igreja; na escuta e meditação da Palavra de Deus; abandonada à vontade do Pai na fé, para a edificação do Corpo de Cristo”.
Na Diocese
Na sua primeira vinda a Fátima, em 1959, a Madre Maria Oliva encontra o então Bispo de Leiria, D. João Pereira Venâncio, e manifesta-lhe o desejo de comprar um terreno próximo do Santuário. Depois, pede ao Papa Paulo Vl que aprove ali a fundação de uma casa de vida contemplativa. Já depois da sua morte, esse será mais um sonho concretizado, em 1976, com a inauguração da casa de oração “Stella Matutina”, em que participa o então Bispo diocesano D. Alberto Cosme do Amaral. A primeira comunidade de vida contemplativa dá início à Adoração Eucarística para exprimir sobretudo a missão orante da Igreja.
Atualmente, a comunidade é composta de seis Irmãs, que continuam a viver a dimensão eclesial e a comunhão com a Igreja local, com particular sensibilidade para o Magistério do Papa, as indicações do Bispo diocesano e a difusão da Mensagem de Fátima como convite à oração e participação na missão evangelizadora e salvadora da Igreja, dedicando-se, ainda, ao acolhimento a peregrinos.
Testemunho vocacional
Casa, escola e Igreja foram os ambientes
onde construí os alicerces da minha vida

Quando completei 17 anos, entendi que era o momento de procurar trabalho e poder ajudar economicamente a minha família, que tinha necessidade do meu contributo. Uma amiga convidou-me para trabalhar com ela numa casa da Diocese, que era dirigida pelas Filhas da Igreja. Encontrar-me com as irmãs, viver na mesma casa, participar na mesma Eucaristia e ver o seu testemunho alegre despertaram em mim o desejo profundo de me consagrar ao Senhor. E foi num retiro com as irmãs e outras jovens que decidir tomar esse passo.
Alguns obstáculos impediram a minha entrada imediata na Congregação, pelo que só em 1965, em Roma, dei início ao caminho formativo, culminando na primeira profissão em 1967 e na profissão perpétua em 1973. Vivi em comunidades como Milão e Lurdes, mas a que mais me marcou e enriqueceu foi a bela experiência em Trento: trabalhava na Cúria Diocesana e conseguia viver os meus compromissos religiosos acompanhando a vida da Congregação com muito interesse e participação.
Foi nestes anos felizes da minha vida que a Madre Maria Oliva tudo fez para que nascesse a comunidade de Fátima, embora ela a tenha contemplado já na comunhão dos Santos. Ao ter conhecimento desta nova realidade na nossa Família, percebi que estava em perfeita sintonia com a sua finalidade e que desejava servir o Senhor na vida contemplativa. Assim, em 1982, juntei-me às irmãs com o anseio de uma vida de Adoração Eucarística, oração, trabalho, vida fraterna… tudo pela Igreja, pelo Santo Padre e por todos os homens nossos irmãos.
Atualmente, sou a responsável da Comunidade e, juntas, agradecemos a Deus ter-nos chamado a viver nesta terra mariana/eucarística, e com esperança olhamos para o futuro da Igreja, vivendo com fé, fidelidade e fervor o nosso carisma.
Ir. Agnese Sanvido
Números
No Mundo
Casas: 60
Membros: 350
Em Portugal/Diocese
Casas: 1
Membros: 6
Mais nova: 55 anos
Mais velha: 88 anos
Média etária: 76