Com quase 1,81 milhões de euros angariados e uma plataforma digital agora disponível para pedidos de apoio, a Cáritas Diocesana de Leiria acelera a resposta — e lança um aviso claro: a verdadeira prova ainda está para vir.
A Cáritas Diocesana de Leiria apresenta o balanço mais recente da sua resposta à Tempestade Kristin e dá um passo decisivo na transição para a fase de reconstrução: está disponível a plataforma digital para submissão de pedidos de apoio ao Fundo de Emergência Social.
O Fundo alcançou 1.805.978,13 € — um valor que é, antes de tudo, um retrato da generosidade da sociedade civil portuguesa. Cada donativo, de cada pessoa, fez a diferença. A todos os benfeitores, a Cáritas Diocesana de Leiria expressa o seu profundo reconhecimento.
No terreno, os números continuam a crescer:
▸ 1.071 cabazes alimentares de emergência distribuídos;
▸ 118 toneladas de alimentos e produtos de higiene distribuídos na área territorial da Diocese de Leiria-Fátima.
Uma plataforma ao serviço de quem mais precisa
A partir de hoje, as famílias e pessoas afetadas podem submeter o seu pedido de apoio em http://l-f.pt/apEn
O regulamento, os procedimentos e os critérios de atribuição estão disponíveis para consulta pública em https://kristin.leiria-fatima.pt
A instrução de processos já teve início e os primeiros casos encontram-se em fase de análise. A Cáritas Diocesana de Leiria reafirma o seu compromisso inabalável com a transparência e o rigor: cada euro angariado será aplicado com responsabilidade, precedido de diagnóstico social individualizado e critérios claros e públicos.
O silêncio que se instala é o maior perigo
A Tempestade Kristin passou. As televisões foram-se embora. A vida continuou — para muitos. Mas para milhares de famílias da nossa região, a tempestade ainda não acabou.
A Cáritas Diocesana de Leiria quer ser clara: o que está em causa não é apenas a reconstrução de casas — é a coesão social e económica de regiões inteiras. E essa reconstrução não se faz em semanas.
Há uma realidade que não pode continuar invisível. Entre as pessoas mais vulneráveis estão cidadãos migrantes, muitos sem rede de suporte familiar, sem documentação que comprove a sua situação de arrendamento, presos em contratos informais que os excluem automaticamente dos apoios oficiais. São pessoas que trabalham, que contribuem, que fazem parte das nossas comunidades — e que hoje vivem em habitações gravemente afetadas pela Tempestade Kristin, que os seus senhorios não reparam. Sem poder exigir, sem para onde ir, muitas destas famílias enfrentam ainda o risco de despejo, numa altura em que o mercado de arrendamento oferece cada vez menos e exige cada vez mais. Para estas famílias, não há solução à vista — e o risco de exclusão total é real.
A este cenário junta-se um problema estrutural que o país já conhecia antes da tempestade: a escassez de mão de obra na construção civil. Reconstruir exige trabalhadores — e eles não chegam para a procura que já existia. Com a Tempestade Kristin a multiplicar as necessidades de reabilitação habitacional, este défice agrava-se de forma significativa. E a consequência é inevitável: o aumento da procura faz subir os preços, retirando ainda mais capacidade de resposta às famílias afetadas. São precisamente as famílias com menos recursos aquelas que enfrentam os maiores obstáculos à recuperação.
A Cáritas de Leiria não se demite desta missão. Contudo, a resposta a esta crise não pode recair apenas sobre a solidariedade — exige respostas políticas concretas, recursos públicos e uma vontade coletiva à altura do desafio.
Canais de Apoio
Famílias e indivíduos que necessitem de apoio devem submeter o seu pedido através da plataforma oficial ou contactar-nos: fundoemergencia@caritasleiriafatima.pt



