A Conferência Episcopal Portuguesa reafirmou o compromisso com uma cultura de transparência e responsabilidade na prevenção de abusos, em resposta ao relatório anual da Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores, divulgado pelo Vaticano.
Num comunicado, os bispos portugueses assumem que “há ainda muito trabalho a fazer”, mas destacam “uma mudança de paradigma” na forma como a Igreja enfrenta este problema. “Reafirmamos a nossa determinação em continuar a cuidar de uma Igreja onde nenhuma forma de abuso seja tolerada, num caminho que queremos prosseguir com todos os agentes pastorais, demais fiéis e com a sociedade em geral”, lê-se na nota.
A Conferência Episcopal acolhe “com atenção e espírito de comunhão” as recomendações da Comissão Pontifícia, que sublinha a importância de um mecanismo de auditoria robusto e da integração de vítimas e sobreviventes na definição de políticas de proteção.
Os bispos reconhecem que o documento “interpela a continuar o caminho de conversão exigente”, centrado no compromisso com a verdade, na prevenção e no cuidado de crianças e pessoas vulneráveis. “A atenção permanente às vítimas tem-nos levado a um caminho de justiça e reparação”, afirmam, sublinhando o esforço da Igreja em “tornar-se cada vez mais segura e fiel à sua missão de cuidar e proteger”.
A CEP destaca o papel do Grupo VITA e das Comissões Diocesanas na identificação de riscos, formação de profissionais e capacitação das próprias vítimas para denunciarem agressões. Entre as medidas já implementadas, a Igreja salienta a criação de estruturas de denúncia e centros de escuta, o apoio psicológico e espiritual às vítimas, a colaboração com o Ministério Público e a Polícia Judiciária, e programas de prevenção da violência sexual em contexto eclesial.