Porto, 1 jun 2025 – O professor António Andrade, da Universidade Católica Portuguesa, que investiga os impactos da inteligência artificial, destaca a necessidade de formar as novas gerações para um uso crítico da tecnologia. “Vai ser muito difícil distinguir o que é verdadeiro e falso, embora existam algoritmos que tentam contrariar isso”, afirma, numa entrevista concedida à Ecclesia e à Renascença por ocasião do Dia Mundial das Comunicações Sociais.

O docente sublinha o papel da Igreja Católica, “uma autoridade reconhecida pela sociedade”, que deve acompanhar e orientar a reflexão ética sobre estes desenvolvimentos, que António Andrade qualifica como o início de uma revolução tecnológica.
O professor valoriza a preocupação demonstrada pelo Papa Leão XIV, que antevê uma sociedade “pós-trabalho”, com menos horas laborais e mais tempo para a família, cultura e lazer. No entanto, alerta para o impacto na redução de empregos, especialmente em profissões com menor componente humana.
António Andrade destaca o risco da desinformação e a importância de não delegar na inteligência artificial as competências individuais e a capacidade crítica. Defende uma mudança na educação, passando da “pedagogia da explicação” para a “pedagogia da emancipação”.
O especialista alerta para desigualdades crescentes entre países na adoção da tecnologia e realça que os dados são o “petróleo do século XXI”, acumulados por grandes empresas que ganham poder e fortuna, o que constitui uma “ameaça muito grande”.
Por fim, sublinha a importância da educação contínua para um consumo responsável da informação e dos dados pessoais, lembrando que a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações é ‘Partilhai com mansidão a esperança que está nos vossos corações’.



