Ainda sobre síndrome depressiva após férias no trabalho

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O tema de estudo da edição da revista Rede nº353 [http://lefa.pt/?p=70960] parecendo restringir-se ao interior das empresas beneficia muito com uma abordagem cristã como se pode reparar constantemente em qualquer passagem do Evangelho visando completar o homem com o trabalho de uma nova criação, claro que é um assunto muito vasto mas oportuno principalmente no tocante à crescente incapacidade do homem em resolver os problemas que ele mesmo cria para tentar dar sentido a uma vida sem Deus.

Não podemos iniciar uma abordagem a este problema sem considerar como as ideologias do século passado ainda contagiam o tema do trabalho e a linguagem política percebendo como é sustentada por oposições tão primárias aproveita-se para fomentar atritos agravando controvérsias e desordens laborais, no rasto de uma esquerda/direita apressam-se oposições semelhantes onde trabalho se opõe a liberdade, trabalhador a patrão e empregados a empresa estando sempre subjacentes dois lados da barricada e não é preciso ir muito longe para assistir nos media a este conflito com base quase só numa certa ideologia que se diz progressista mas que fomenta contendas estéreis para sobreviver nos tais media.

Por outro lado este assunto revela-nos como estamos cada vez mais frágeis quase a precisar de ser mimados no emprego considerando os direitos e regalias atuais em comparação com décadas anteriores o que revela de facto haver um desajuste pessoal por resolver motivado pelas contradições e complicações que a sociedade em que vivemos fabrica constantemente depreciando-se o trabalho como valor puramente cristão em benefício de uma vida fácil cheia de ilusões digitais, distorce-se o enquadramento que o tema do trabalho abrange fechando-o pobremente no fator salário em vez de se verem as oportunidades de integração numa empresa como desenvolvimento pessoal, relação privilegiada com os outros, participação ativa na sociedade e compreensão de um mundo que se afadiga em bens e serviços que passam ao lado das necessidades profundas de um homem genuinamente com horizontes muito mais vastos do que os presentes no seu fechado quotidiano.

Sem nos darmos conta já somos (des)educados pelo contexto político e mediático a ver inimigos em todo o lado e o local de trabalho e a família são os espaços mais vulneráveis para ocorrerem conflitos a maior parte das vezes sem sentido sendo a ética cristã uma luz poderosa para identificar muitos desses problemas produzidos artificialmente ao mesmo tempo que dá efetivo sentido à vida nas organizações revelando desde logo o objetivo coletivo de sucesso e deste modo retirar ao fator remuneração a primazia nas opções de escolha por um emprego, privilegia-se mais o cumprimento de um desígnio pessoal numa realidade cada vez mais alargada onde não faltam os colegas o bem comum e um futuro para a humanidade.

Resulta então que é preciso ajustar as lentes pois nem o trabalho tem de ser escravidão para o homem nem as férias têm de ser o ambiente idílico para mostrar nas redes sociais. O trabalho é um processo de transformação que incide principalmente no trabalhador uma vez que está integrado em ambientes que escalam a família e permitem a partilha dos mesmos valores de confiança, entreajuda e proximidade por outro lado a empresa escala também a própria sociedade pondo em contacto com as exigências e contingências da globalização, por seu lado as férias são uma oportunidade de aproximação familiar através da mudança de ritmos e rotinas o que não exclui a participação em outros “trabalhos” mas desta vez consagrados a aprofundar as relações familiares pois é nestas interações em ambientes muitas vezes desconhecidos até que melhor se ficam a conhecer pais e filhos. Sem se dar conta são os próprios homens a fabricar também os síndromes que os afligem um ciclo vicioso por olharem tão próximo o chão que pisam não compreendendo como foram criados para medidas grandes muito para além da rotina casa-trabalho-casa cabe-lhes enriquecerem os ambientes onde se integram participando ativamente e nas empresas há grande disponibilidade para acompanhar o envolvimento positivo dos empregados por isso é preciso abandonar a ideologia dos inimigos nas empresas mas também família e sociedade.

Votos de continuação de um bom trabalho de notar a excelente apresentação da revista Rede provando como a Igreja sabe adaptar-se na comunicação quando a procuram salientando-se a qualidade das fotografias, artigos acessíveis e informação explícita.

Cumprimentos aos colaboradores que tão bem enriquecem a revista Rede.

Marcos Nunes Jorge
Souto da Casa, 7 de outubro de 2025

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