A sociedade disponível para o acolhimento nos casos de confronto doméstico

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É preciso que o conhecimento sobre as soluções chegue às pessoas antes de elas virem a precisar dele. O que não está a acontecer. Há muitos meios de discussão fechados na sua exposição levianamente franca (levianamente pela falta de profundidade franca da carga ou brutalidade do sofrimento de quem passa por essas situações). Não se fala das motivações. Nas situações que conheço, o conhecimento ou consciencialização da realidade atual só chega anos depois de terem acontecido.

É preciso saber que é possível defender-se, que é possível recusar maus-tratos e que a sociedade protege quem tem coragem de reerguer-se. É preciso a sociedade mostrar-se disponível a quem, na infelicidade de um fado mal traçado, necessita de acolhimento, pois o fado em que muitas dessas gentes acordaram não foi por elas desejado, ainda que possa ter havido escolhas mais ou menos conscientes. É preciso banalizar que uma situação infeliz não é fruto de falta de inteligência social, pessoal ou estrutural.

A necessidade de novos conceitos comunicacionais

Isso não está a acontecer, pois os que sabem desses “meios de destruição” (a destruição da própria paz em oposição à violência doméstica), por conhecimento próprio, recusam envolver-se; e os que neles trabalham apenas o consideram como posição ou estatuto de subsistência. Enquanto a “violência” (doméstica) for designada com este nome, vai sempre acontecer, pois na nomeação do conceito está subjacente a própria certeza da sua existência.

Que alternativas então? E queremos “violência”? Diria que moderar a quantidade de notícias sobre ela e aumentar a qualidade. Ou seja, possivelmente nomeá-la como “casos de confronto doméstico”. “Violência” é muito forte. Ou seja, não proponho desvalorizar a gravidade das situações subjacentes a ela, mas sim desvalorizar a brutalidade de designação do conceito.

Nos “casos de confronto” há lugar a discussão. Não unidirecional. Ambos falam, ambos calam, ambos ouvem. O confronto é uma franqueza de comunicação em que também pode haver discordâncias e defesa dos próprios interesses. Não é do meu interesse distinguir aqui os conceitos de conflito e violência, pois não é da minha especificidade falar das miudezas dos termos, nem pretendo agudizar relações ou marcar pesos em um dos lados (e definir conceitos desiguais é marcar pesos), apenas dizer que, segundo a língua portuguesa, violência é mais grave que conflito.

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